A milonga de Sarandí

Se alguém chegasse pra mim lá pelos idos de 1999, quando eu me encontrava ausente destas paragens, e dissesse que o Sport, em uma competição internacional, havia eliminado times uruguaios e argentinos, eu diria que a pessoa estava com sérios problemas. Quem passou a acompanhar efetivamente futebol nos anos 90, a única experiência “internacional” do Leão in loco foi aquele amistoso contra o Porto (de Portugal, não o de Caruaru), o qual perdemos por 2x1, na Ilha, em 1995 e em 1997, quando vencemos o Cerro Porteño também em casa, por 2x0, pela Copa Renner.

E somente esta mixórdia.

Mesmo com Conmenbol e CBF oferecendo por dois anos seguidos vagas na Copa Conmenbol, a inteligência cristalina de um Bivar achou “deficitária demais” e vimos Santos ser campeão, CSA chegando a um vice e fazendo com que nos perguntássemos “por que não nós?”

Nem vou falar da campanha da Libertadores de 2009, porque as mãos tremem, as lágrimas começam a surgir e todos já sabem da tragédia que foi. Mas desde que o Sport passou a disputar a Sul-Americana, de maneira ininterrupta, o “por que não nós?” parece ceder lugar ao “por que ainda disputamos isso?” tamanha a porralouquice, displicência e desinteresse seja do corpo diretivo, elenco e também de parte da torcida com uma competição que pode dar mais visibilidade ao club, positivamente falando, porque foi tanto vexame que a gente corre o risco de já ter virado chacota.

Isso quando a gente não ficava pelo caminho na fase nacional. E haja time reserva do Vitória, derrota pros rivais fundados em 2011, etc.

O mais incrível é que, dado todo o nosso histórico, tenhamos passado por argentinos e uruguaios. Beleza, é o Danubio, que não é o da valsa, e o Arsenal sequer lembra o que foi campeão da própria Sula e hoje esteja mais pra um Araripina, mas lembrando que o Araripina já nos deu raiva o jogo de ontem, fora a derrota, foi bem proveitoso no quesito classificação.

Mas há VÁRIOS poréns.

Samuel Xavier está todo trabalhado na versão “homem sem sombra” e fico me perguntando o quanto Raul Prata é incompetente ou perronha pra ser incapaz de fazer com que o Cachorro Louco não pegue um banco. Durval é uma placa de neon, vive de fachada, dá apagão e a qualquer ventania cai. Rithelly parece doido de hospício dizendo que é Prêmio Nobel de Física, mas não sabe resolver direito sequer a equação horária dos espaços. Luxemburgo, Carlos Gardel de Paratibe, é incapaz de mandar uma milonga esperta e por causa do lampejo do Trio Cifrão (André, Diego e Rogério) passamos como no famoso tango. Por una cabeza.

Una cabezita.

A verdade é que jogamos em casa na base do abafa e fora a gente reza pra não morrer sufocado. Se o Sport fizer 6x0 em casa, é capaz de tomar 6x0 fora só pela emoção. Pelo menos já sabemos que somos capazes de tomar 4x0 da Ponte Preta, nossa próxima adversária, então é provável que façamos 4x0 na Ilha pra garantir os penais por antecipação em Campinas.

Se a surpresa em eliminar uruguaios e argentinos já nos assustou esse ano, não seria surpresa alguma ser eliminado por um brasileiro, nossa sina e tristeza.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Corneta Sport’s story.