Breve retrospecto da preguiça

Foto: Diario de Pernambuco

Confesso que a balbúrdia ao redor da liderança temporária (na terceira rodada) foi como uma anestesia blasé no que diz respeito a escrever as crônicas pós-jogo. E até as que escrevo antes dos jogos: porque você tá tão calejado com as histórias de queda de qualidade do time que o mais provável é dizer “Já vi esse filme”. Que o diga em 1998: fizemos 4x0 no América de Natal fora de casa, vencemos Atlético/PR e Vitória em casa (2x0 e 2x1) e fomos pra Goiânia pegar o nosso adversário de quinta e levamos uma chapuletada de 2x0. Apesar disso continuamos uma série de bons resultados (Palmeiras 1x2 Sport, Sport 1x0 São Paulo, Coritiba 0x0 Sport, Sport 4x1 Paraná, Santos 0x0 Sport e Sport 0x0 Vasco)que tiveram fim com aquele horroroso Sport 0x2 Corinthians no dia do meu aniversário.

Ainda assim vencemos as duas seguintes (1x0 contra o Bragantino e 5x0 contra o Grêmio) e, sinceramente, desde que vou a estádios sozinho, acho que só em 2000 tivemos uma boa sequência (embora em 2000 demorássemos a engrenar). O que quero dizer com tais números é que naquele campeonato, que tinha mata-mata nas outras fases, toda empolgação era castigada e a torcida aparentemente se continha a cada rodada. Hoje em dia, qualquer boa sequência do Sport gera um NOSSAAAAA, que aos meus calejados olhos e coração, me soa um tanto falso e exagerado. O caminho é longo, nossa estrada não é de tijolinhos amarelos e, na expectativa de que não aconteça algo realmente extraordinário, sobrevirá a agonia.

Agonia parecida com aquela do jogo contra o Coxa, muito mais próxima do que foi os tormentos de 2014 do que qualquer suposto caminho brilhante que enxergam esse ano. No frigir dos ovos, à execeção de Flamengo e Figureirense, foram os mesmos adversários do ano passado no começo do campeonato e com resultados mais ou menos parecidos. E, num jogo parelho com o Santos — que apanha do Sport hoje em dia com ou sem Patric — conseguimos um empate jogando mais ou menos bem. Mas, à exceção do primeiro tempo contra o Flamengo — que é um time ruim, ou pelo menos está — o pensamento de ótimo futebol ainda está longe de se aplicar ao Sport.

Por que a empolgação? Carência, necessidade de afirmação da tag #SportGigante e outros lugares comuns que os torcedores mais antigos, por mais que sejam chatos no que diz respeito à nossa conhecida megalomania, na hora de botar a mão na cabeça como nos versinhos de Brilho de Beleza. Lógico que o direito de ser feliz é franqueado a todos, mas não nos livra do tributo da frustração por imaginar voos que para nós, dada todas as circunstâncias, poréns e senões dentro do futebol brasileiro, ainda são bem rasteiros.

Foto: UOL

Aí vamos pegar o Goiás, que nas últimas partidas na Ilha consegue um golzinho no final, seja com Tobi fazendo tobices (em 2011) ou Danilo acertando vidraças na Conde da Boa Vista ano passado com o seu chute torto. Pode até ser que o Sport vença, em um estádio com 12 ou 13 mil torcedores numa noite de quinta-feira. Ainda vou fazer a contagem progressiva pra chegar aos 46 pontos. Se o Sport fizer mais de 30 pontos no primeiro turno aí sim, começo a ficar preocupado com os caminhos do time. Porque meu coração talvez me engane e passe a sonhar.

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