Estrada para a (des) ilusão — final

Aquele gol de Borges e o calor que a Ponte deu na Ilha só era o prenúncio de dores de cabeça ainda mais fortes para a corneta, agora legitimizada de vez por conta da inoperância do time de Dudu A Um Passo De Ser Falsiane. Ainda que tivéssemos feito uma ou outra boa partida na sequência que se estabeleceu desde a vitória contra o São Paulo, a empatabilidade e a bisonhice nos jogos fora de casa contagiaram até nos jogos da Ilha ou na Arena Lonjura e, quando o time não se ajudava, não seria a arbitragem que daria uma mãozinha (pelo contrário, batesse a bola na mão de qualquer jogador do Leão, era pênalti).

FOTO: ESPN

Daí que mais uma vez demos uma ajuda ao Figueirense em sua luta anual contra o rebaixamento, quando não conseguíamos sequer segurar o 1x0 por um tempo razoável e tomamos a virada, perdemos para o flamedo na Arena, graças à nossa preguiça e à maluquice de um Samuel Xavier, empatamos com o Coritiba com o time paranaense pedindo pra levar uma pisa e com o Santos graças à cegueira dos bandeirinhas. Perdemos para o Goiás num daqueles jogos horrorosos nos quais eu já comemorava o 0x0 e vrá, a sequência de 10 partidas sem vitória já nos fazia coçar e somente uma vitória contra o Bahia de goleada pela Sula talvez explicasse o fato de Dudu Nenhum Dinheiro Me Tira Daqui não ter vazado. Aliás, por mim já teria vazado no 1x0 de Salvador, quando “vergonha na cara”, “freguesia” e outros epítetos menos honrosos se agarravam na juba do Leãozinho.

FOTO: Super Esportes PE

A propósito, aquele 4x1, com dois gols de Brocador, por si só foram das coisas mais absurdas do ano, porque o Sport eliminar o Bahia é uma coisa muito bissexta e bissexto será 2016, então você já ficava imaginando algo extraordinário.

Extraordinário era um lugar muito longe e na sequência da Sul Americana, no confronto com o Huracán, o Sport voltou à mixórdia de não respeitar quase nenhuma competição em que se mete. Por isso, a vitória contra o Fluminense sair com gol de Danilo já me mostrou que as coisas já estavam perdidas e o empate na sequência contra o JEC só me fazia sonhar logo com os 46 pontos para dormir em paz.

Foto: Diario de Pernambuco

Paz que iria ficar um pouco mais difícil quando Dudu Finalmente Tornou-se Falsiane e foi passear nas Laranjeiras com desculpa mais esfarrapada do que a renúncia de Jânio Quadros. Meu medo era que anunciassem Galo, Geninho, Givanildo ou qualquer outro técnico com G que pudesse fazer com que a gente fosse rebaixado com um ponto a menos que o 16º colocado e quando anunciaram Falcão tive quase a certeza de que a diretoria só tinha voltado uma letra atrás no alfabeto para perdemos a temporada.

Foto: Globo Esporte

A eliminação para o Huracán ter caído na conta dele foi pura contingência do destino para alguém que já tinha visto o time perder para o combalido Vasco e teria muito trabalho pela frente. Vencer a Chapecoense por 3x0 com Régis fazendo golaço já parecia aqueles jogos de cumprimento de tabela, já que as partidas fora de casa, principalmente contra Inter, Cruzeiro e São Paulo a gente sempre bota na conta da freguesia. Aquela vitória contra o Avaí já parecia ser o jogo do “ufa”, mas aí ocorreu a estranha goleada contra o Atlético Mineiro quando todo mundo na tabela resolveu ajudar o Sport e a diretoria já começava a esboçar o sorriso do “Vai que dá” que logicamente deu ruim por conta de nosso histórico contra celestes e tricolores. E mesmo que o Palmeiras tivesse a honra de ceder mais uma vitória para nós para perdermos o cabaço como visitante, ficamos só no quase. A vitória contra o Grêmio seria nosso canto de cisne de quando ainda tínhamos chance de algo, destruída pelo juiz contra o Cruzeiro e principalmente no jogo de portões fechados contra o Furacão.

“Ahá, olha lá que ano que vem vou fazer gol em vocês”

Lembrem-se de suas fotos com os punhos cruzados toda vez que falarem de que naquele dia, não ter tido torcida, foi algo fundamental para nosso fracasso na esperança do G4.

Daí que ter carimbado a faixa corintiana só serviu para nossos brios já machucados e até a vitória contra a Ponte ficou na história de nossa melhor participação nos pontos corridos e a certeza logo confirmada de que nosso carrinho até então arrumadinho teria seus arranjos do tunning arrancados pelos zica cracudos e ficaríamos mais pelados do que carrinho de rolimã ao final do campeonato.

“Olha o Bonde do Desmanche ae, gente!”

E esse foi o saldo de 2015: nenhum título, uma boa campanha na Série A, mesmo com os trancos e os relâmpagos e uma equipe mais desfigurada do que acidentado de cinquentinha na Avenida Caxangá em dia de chuva.

2016 será animado para a corneta, com certeza, tal a morosidade nos reforços e a própria qualidade deles. É pagar para ver e sofrer.

Será um ano divertido. Ou não.

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