Planos e planejamentos

O Sport voltou à Série A em 2014 e aos trancos e barrancos (sim, apesar de tudo) se manteve nela e tá indo para a quarta temporada consecutiva, o que só é bom para o clube que sofreu com o efeito gangorra de 2009 e 2012 e todo o inferno que passou entre 2002 e 2006. O clube perdeu prestígio, dinheiro, tornou-se um imã de jogadores horripilantes, mesmo em 2007, quando se manteve na Primeira Divisão e deixou a base para a vitoriosa campanha de 2008.

2008 foi vendido para a torcida como um exemplo do planejamento do clube, que soube trabalhar com o que tinha e enfim conquistou um título nacional depois de 21 anos. Título inquestionável, com um time aguerrido, em jornadas memoráveis que foi freado em 2009 numa dessas sacanagens do destino, com uma bola na trave e um goleiro iluminado do outro lado.

Eu sempre pensava: poxa, quando o Sport consegue se planejar um pouco que seja alcança um título nacional, mas isso só deixará de ser um truísmo para a narrativa do foi sorte quando esse tão propalado planejamento não for andorinha de um verão só.

Subimos em 2011 por conta da incompetência dos outros, embora tenhamos feito por merecer (afinal azar dos outros que perdem jogos cruciais) e caímos no ano seguinte por causa da mesma incompetência.

Planejamento? Quando o presidente coloca um abnegado para gerente de futebol, imagina trazer os “destaques” do rival, pretendendo não renovar o contrato de Magrão (se isso tivesse acontecido em 2013, o que seria de nós hoje, 14 de maio de 2017?) precisando da intervenção do abnegado com um pouquinho mais de visão de planejamento para não afundarmos mais um ano no marasmo da Segundona, o buraco parecia ser nosso destino.

E 2014 vem e quando um treinador praticamente convence que utilizar a estrutura do CT em prol do time profissional e obriga a diretoria em trabalhar em prol de um planejamento mais racional — que pode vir a não dar certo, óbvio — e com um time muito meia boca, vence dois campeonatos em quinze dias e se mantém sem muitos sustos na Primeira Divisão, mantém uma base para um time que, se não ganhou títulos que estavam ao seu alcance, mostrou-se competitivo dentro de suas limitações, mostra que o planejamento, quando bem pensado, dá respostas.

Esqueçamos os motivos pessoais do treinador que gostaria realmente de trabalhar em um grande centro e tinha de lidar com uma guerra interna de abnegados que logicamente fizeram com que ele ligasse o foda-se, foi imaturo e antiprofissional. Pecados. Todos temos nossos infernos para queimá-los.

2016 começou com um dos piores planejamentos que já vi na Ilha do Retiro. Ainda assim, mais acertos do que erros, disseram. Permaneceriam. E continuaram se materializando dentro do campo. Da inoperância do gerente de futebol à vaidade pavonesca dos vice-presidentes, sempre dispostos a aparecer e vomitar besteirol nos microfones das rádios.

Quando chegou a eleição, o embate do menos pior com os aventureiros. Optou-se pela continuidade. O incerto às vezes parece menos perigoso do que palavras que são sussurradas como salvacionismo em meio às nuvens. Talvez os dinossauros pensassem que o cometa fosse uma estrela cadente.

Ao velho que se pretendia revestir-se de novo, o novo cheio de velhos continuou. Com pai nomeando filho aqui e ali, político que sequer prestava conta onde trabalhava (imagina prestando contas no que ele provavelmente considera seu clubinho particular), namorado nomeando namorada para trabalhar onde não tinha a mínima noção do que fazer (ah, mas ela sabe usar o You Tube!) e a aposta. Aposta não é planejamento. Gratidão não pode ser referência única para basear um plano de trabalho. O time capengava, capengava e salvo pelo toque da certeza de que a cagada havia sido grande, demite-se o ex-treinador para ser assistente. Contrata-se alguém que estava em viagem de férias e não apresentara nenhum trabalho mais consistente. Pela qualidade técnica do time frente às outras forças locais e regionais, consegue passar por duas finais. Aos tropeços. O aproveitamento inicial dá sequência a uma série de resultados absurdos. Futebol ruim. Jogadores contestados com status de titular absoluto. Contratações questionáveis. Passividade.

Se o Sport quiser perder dinheiro, prestígio e evolução, continue com sua falta de planejamento. Continue com os absurdos cometidos nos bastidores repletos de caudas de pavão, incompetência. Até baratas montadas no topo do veneno são mais responsáveis.

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