Noite de Mistério


(Relatar irei aqui os acontecimentos de uma noite de janeiro de 1934…)

Caminhava pelo beco de Jesus à vadiar, era noite, aliás, muito fria… as neves caíam em meus cabelos e na barba. Tinha acabado de sair de um casino, no qual passei a noite jogando blackjack. Estava de caminho à casa, um pouco bêbado… na verdade, muito bêbado. Eram 03:20 da manhã quando eu passava por um porto, um antigo porto que, eu acho, não estava mais em uso. Estava uma madrugada linda, pelo menos naquela minha toda embriaguez eu conseguia apreciar a beleza das coisas.

Encostei meus braços na madeira de um píer, que ali tinha, para visualizar as estrelas. Ouço um ruído vindo do mar à minha frente e abaixando minha cabeça daquele mundo de estrelas que era o céu para ver o quê seria d’quele ruído… não vejo nada no mar. Penso que não via, o que tanto fazia aquele ruído, devido a escuridão da madrugada, e com essa questão solvida, volto a deslumbrar o céu. Porém, conseguintemente, vêm um odor do sétimo inferno, uma mistura de odores, na verdade, que suscitava coisas horripilantes à minha mente. Agora era o ruído estranho e aqueles odores horripilantes que vinham para atrapalhar meu apreciar das estrelas. Tento, cegamente, ver naquele mar, que ia até o horizonte, de onde vinham aquele ruído e odores. Porém nada vejo ali.

Debalde, volto para o casino com uma sensação estranha. E quando lá chego, todos que lá haviam, à algumas horas, estão mortos agora…

Disparo-me, passando pelo beco de Jesus, até uma casa próxima para… para…

Não mais sei…


O JORNAL

“O corpo de Homem é achado no cais com diversas perfurações no abdômen. Não se sabe o que aconteceu ainda(…)”

L.P. Souza

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