Álbum de Figurinhas

Os Colecionadores, os Predadores e outros Cromos Difíceis de Entender


Você sabe o que querem dizer os termos erotomania e a ninfomania?

Ambos denotam o “excesso” de desejo sexual por parte de um homem e de uma mulher, respectivamente.

O Desejo Sexual Hiperativo (DSH) — como é chamado tecnicamente — manifesta-se principalmente pelo “nível elevado de desejo e de fantasias sexuais, aumento de frequência sexual com compulsividade ao ato, controle inadequado dos impulsos e grande sofrimento”.

A ideia fixa em relação a sexo chega a interferir na vida diária e nos relacionamentos da pessoa.

Assim como na dependência em heroína, álcool ou cocaína, a abstinência sexual deixa a pessoa tensa, ansiosa ou depressiva. A pressão para a expressão sexual retorna e a pessoa sente-se escrava de seus próprios desejos. A ansiedade pré-atividade sexual, a intensa gratificação após o orgasmo e a culpa após o ato não são raras.

“Pode-se observar níveis diferentes de adição ao sexo, desde masturbação compulsiva e prostituição, a alguns comportamentos parafílicos (perversos) como exibicionismo, voyeurismo ou mesmo pedofilia (abuso sexual de crianças) e estupro.”

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Acabo de ver O Lobo de Wall Street, que retrata a compulsão do personagem-título — dentre outras coisas — por sexo.

Não tenho a menor pretensão de discorrer aqui sobre as questões psicanalíticas da sexualidade. Quem sou eu… Mas o que me provoca reflexão são alguns aspectos que tenho observado e que quero compartilhar com vocês, para discordarem, concordarem ou muito pelo contrário.

1- As figurinhas repetidas

Seria culpa da indústria pornográfica americana? Quem introduziu (sem trocadilho, por favor) determinados padrões e estereótipos na nossa cultura?

Outro dia, tive a oportunidade de assistir ao divertidíssimo documentário “Unhung Hero” — Tamanho é documento (tamanho importa)?

Nele, Patrick Moote percorre o mundo em busca de “soluções” para seu “problema”: sua namorada disse “não” quando pedida em casamento porque Patrick… tem o pênis pequeno!

O que é um pênis pequeno/ok/adequado/uau/exagerado senão uma ideia “vendida” de alguma forma a nós. Obviamente, a ciência tem uma medida para o que seja um pênis pequeno (vá lá: menos de 7,5 cm, quando ereto).

Enquanto isso, centenas de milhares de meninos, rapazes e homens que “supostamente” não teriam seus membros nos padrões CNPQ passam por intenso sofrimento psíquico e até físico. Os gordinhos, por exemplo, costumam até ficar com o pênis “oculto” na pelve — o que não significa que não esteja lá e nem os desabilita de proporcionarem a si próprios e a sua parceira ou parceiro prazer sexual.

Dia desses, o indiano Raj Kumar foi o vencedor da segunda edição do concurso de menor pênis da região do Brooklyn (Nova York, EUA), realizado pelo King’s County Bar.

Raj brilhou não pelo que estava em suas calças, mas no coração. Afinal, a competição é anunciada no Facebook como o momento para “comemorar os homens menos dotados de coração extraordinário, talentosos e espertos”.

Raj cativou o júri — formado só por mulheres — ao se apresentar com um número de Bollywood, um estilo de dança indiana moderna, e lançar beijos para a plateia.

Se é assim em relação aos ELES, quanto a ELAS a coisa não fica muito atrás.

Existe, sim, a cobrança para estar bem no microbiquini, no minivestido, na minissaia, na miniblusa.

Mas também há os padrões “FIFA” para as quatro linhas. Peitos no lugar, barriga negativa (puxa, sempre pensei que negativo fosse uma coisa…ruim!), e — como diria o Lobo de Wall Street numa conversa com o pai: “no BUSH!” (“tadinha” da Nanda Costa, apanhou pelo ensaio na Playboy).

Certamente, tudo isso no que se trataria — na minha visão — do sexo “esportivo”, ou seja, sem envolvimento afetivo.

Porque se e quando existe afeto. Se e quando há envolvimento. Se e quando há sintonia… tem coisas que passam ao largo de qualquer tipo de análise anatômica.

E, ainda nesse tópico, há a questão… como eu chamaria…performática. Cenas ensaiadas? De filme? De novela? Por favor, jogue fora o script!

2- “Não há cromos difíceis”

Sei lá até como escrever sobre isso sem ficar orbitando em chavões e conselhos de vovó!

Mas há algumas máximas que não viraram “mínimas” com a mudança dos tempos.

Outro dia, estava no carro com três adolescentes de 13 anos e um deles se referia agressivamente a uma colega de escola como “piranha”.

Meio espantada, perguntei: “mas por quê?”

A resposta: “Ela namorou Fulano e quis dar pra ele. Ele foi quem não quis comer.”

Ao que eu respondi: “Isso foi o que o Fulano te disse, né?”

Claro, por conhecer a menina em questão e porque é sexista e absurdo falar assim de quem quer que seja, parti em sua defesa. Algum tempo depois, correu notícia de que a mesma menina havia enviado fotos dos seios nus a um outro namorado, o qual — por sua vez — havia repassado a um sem-número de outros colegas…

Minha ideia sobre isso é que as pessoas não se dão valor. Já que estamos na época de Copa, “não valorizam seus passes”. E numa rotatividade e até promiscuidade intensa, vão saltando de parceiro em parceiro como se o mundo fosse acabar amanhã. E piriguetes e garanhões se misturam a pessoas comuns, que se misturam entre si e de tanta mistura ninguém se reconhece mais.

3- Os colecionadores

Conheço principalmente homens que — imagino — devem ter um “caderninho”. Ou alguns caderninhos. Ali anotam todas as suas “conquistas” sexuais.

O mais curioso é que as presas podem ser louras, morenas, ruivas, altas, baixas, gordas, magras, novas, velhas, pobres, ricas, humildes, poderosas…

Muitas vezes, são homens casados com mulheres bacanas, bonitas, inteligentes… e “pegam” até o diabo vestindo saia.

Outro dia, tive um processo em que absolvi dois réus que supostamente estariam armados numa van.

Um deles havia recebido um bom dinheiro por causa de uma rescisão de contrato de trabalho e nada contou pra mulher. Convidou um amigo, beberam e seguiam para um local para gastar…com mulheres!

A mãe de um deles entrou na sala de audiências e, lá pelas tantas, quando o clima já estava mais ameno e já dava para perceber qual seria o desfecho do processo, ela se virou para o filho e começou a dar bronca, dizendo que tudo aquilo era por causa de mulher. E olhou para mim e confirmou: “É verdade, doutora! Ele não pode ver uma… — e uniu polegar com polegar e indicador com indicador, fazendo o gesto chulo que simboliza a vagina! ()

Presumo que existam as colecionadoras também. Mas pelo que ouvi dizer, o que elas procuram não está relacionado a sexo, mas a estabilidade financeira (que pode até ser alcançada através de uma boa trepada).

Um certo empresário do ramo de colchões (que ironia!), casado, uma filha. Já um senhor com certa idade, sem muito trato físico, viajou sozinho. A mulher, despreocupada, sem ciúmes. Ocorre que ele conheceu uma prostituta e se apaixonou. Queria o divórcio para se casar com “o novo amor”.

Quando a mulher se deu conta de quanto receberia de pensão, deu rapidamente um jeito de “reconquistar” o marido empresário…

4- Ganhando no “BAFO”: os predadores

Hoje em dia, com o maior acesso aos meios de comunicação como internet, encontramos uma nova modalidade de hipersexualidade: compulsão sexual virtual (sexo virtual), atingindo mais de 2.000.000 de pessoas que gastam de 15 a 25 horas em frente ao computador navegando em sites de sexo.

Existem os “menos” perigosos, que são os que inventam, por vezes, diversos perfis fake e ficam se “relacionando” com várias pessoas ao mesmo tempo virtualmente e não passa disso.

Há os nigerianos, que criam perfis fake no Facebook, se fazendo passar por soldados americanos no Afeganistão, postam fotos de homens reais, com famílias (crianças) e contam estórias tristes sobre a morte das esposas.

Nos dois casos acima, do outro lado há uma pessoa “carente” que embarca na fantasia por seus próprios motivos. Se é adulta e capaz, pode até ser que seja uma forma de estelionato, mas não há muito o que se possa fazer, por exemplo, quando o autor da farsa mora do outro lado do mundo.

Mas os predadores mais perigosos, os colecionadores que mais me assustam, são — sem dúvida — os pedófilos.

A criança não tem como se defender.

Como do “Gostosão da Webcam”.

José Adriano Soares, de 38 anos, foi preso pela segunda vez, em Cubatão.

Segundo a notícia veiculada no G1, “o homem guarda em seu computador e em pen drives fotografias de meninas, com idades entre três e 16 anos, praticando sexo explícito. Em abril do ano passado, quando foi efetuada a primeira prisão, os policiais também encontraram CDs e DVDs com vídeos no quarto da casa onde ele morava com os pais, no bairro Cota 200. Na época, o suspeito respondia ainda pela divulgação do material na internet, mas foi solto pela Justiça depois de dois meses e pôde aguardar o julgamento em liberdade.

Sobre as meninas que aparecem nas imagens apreendidas desta vez, a polícia acredita serem crianças e adolescentes da região. “Os vídeos que foram apreendidos com ele no ano passado mostravam crianças e adolescentes do exterior, tanto que a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) faz parte das investigações. Mas as meninas que aparecem no material atual são brasileiras, e podem ser daqui”, afirma o delegado.

O homem foi preso pela primeira vez em Cubatão no ano de 2013, após compartilhar imagens pornográficas envolvendo crianças com idades entre três e seis anos pela internet. A polícia chegou até o suspeito depois que uma mulher fez uma denúncia anônima para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Jaú, no interior de São Paulo. No quarto do acusado foram encontradas câmeras de vídeo, computador, pen drives, CDs e DVDs com cerca de mil filmes e imagens de sexo explícito com crianças.

Após ser preso o suspeito disse à polícia que estava viciado em pornografia infantil desde 2010, quando acabou baixando um vídeo e se interessou pelo assunto. O suspeito foi solto pela justiça depois de dois meses e pôde aguardar o julgamento em liberdade.”

Existe uma propaganda de uma clínica cujo “slogan” é SEXO É VIDA. Concordo, plenamente. Mas algumas distorções têm “matado” algo de saudável, indescritível e humano a respeito do sexo, que precisa parecer tão plasticamente perfeito aos olhos dos outros que uma das últimas modas por aí é o “selfie após o sexo”.

http://tecnologia.uol.com.br/album/2014/04/02/selfie-aftersex-usuarios-de-redes-sociais-postam-fotos-depois-do-sexo.htm