Bessame Mucho


Corre nas redes sociais uma estória engraçadinha sobre o que desejam homens e mulheres.

Segundo a piada, para que o homem seja feliz bastam 04 itens básicos: sexo, comida, cerveja e futebol.

Quando se trata da mulher, entretanto, a lista mais parece um daqueles antigos catálogos telefônicos, enumerando as seguintes qualidades e habilidades: amigo, companheiro, amante, irmão, pai, chefe, educador, cozinheiro, mecânico, encanador, decorador de interiores, estilista, eletricista, sexólogo, ginecologista, psicólogo, psiquiatra, terapeuta, audaz, simpático, esportista, carinhoso, atento, cavalheiro, inteligente, imaginativo, criativo, doce, forte, compreensivo, tolerante, prudente, ambicioso, capaz, valente, decidido, confiável, respeitador, apaixonado.

Destacada em “caixa alta” aquela que seria a cereja no sundae das virtudes masculinas: ser RICO.

Depois desse rol, vem um pequeno manual de etiqueta, que poderia se chamar “como não ser um Ogro”: não soltar pum, não coçar o saco, não falar mal da sogra, não demorar no banho, dizer “eu te amo” pelo menos 5 vezes por dia, dar descarga depois de usar a privada…

As pessoas têm curtido e compartilhado a piada e até é engraçada mesmo, pois o “ser perfeito” supostamente desejado pela mulher, no fim das contas, pode acabar sendo tedioso e deixando-a infeliz, segundo a estorinha.

Mas será que é disso mesmo que homens e mulheres precisam para serem felizes? Será que é disso mesmo que as pessoas precisam nos relacionamentos?

Para começo de conversa, em matéria de recreação, tanto homens como mulheres podem se sentir plenamente satisfeitos com sexo, comida, cerveja (ou vinho, ou caipirinha, ou tequila…) e futebol.

O sexo, para a mulher, tem o mesmo valor que para o homem. Direitos iguais. Por exemplo, não me venham dizer que não sabem do P.A.. Sabem, né, aquele amigo que serve para ser um pouco mais que um amigo e bem menos que um namorado, quando os dois têm em comum o interesse em fazer sexo? P. Amigo, em referência ao órgão sexual masculino, sim.

Comida? Vejo mulheres, até, mais que homens, se “recompensando” com chocolate, petit gateau, brownie e o que mais pintar pela frente seja porque estão com aquela TPM, seja porque o cabelo acordou liso demais ou enrolado demais, seja porque o pneu furou, seja porque chegou a fatura do cartão, seja porque o dia foi uma droga e deu tudo errado…

Bebida também não é coisa só de homem há tempos. Sejam champanherias ou botecos, madames e “proletárias” também têm happy hour — e não é só sexta-feira!

Ahhh… Futebol. Mulheres em campo, e nas arquibancadas, sim senhores e senhoras. Não é só pela bunda do Hulk. Não somente para acompanhar os parceiros. E não se resume a futebol, claro. Entre em qualquer academia. Espaço dividido igual a igual. A mesma coisa nos espaços públicos de atividades físicas.

Está muito claro que eles e elas querem a mesma coisa na hora de “brincar” e quem não sabe ou não quer só brincar “não deve descer para o Play”.

Mas e quem quer um relacionamento à vera? O que cada um procura no outro?

O “modelo de homem” da piadinha (praticamente o “cara” da música do Roberto, de tããão chato!) não existe, né?

Na real, o que as mulheres em geral procuram é um “cara legal” e que vislumbre — minimamente — a possibilidade de assumir um compromisso.

Mas não está fácil para todo mundo. Para quem faz questão de viver junto, existem algumas peculiaridades depois dos 40 ou 50.

Em geral, as pessoas nessa faixa não estão no seu primeiro relacionamento. Aí têm filhos e as dinâmicas todas envolvendo guardas (nem sempre bem resolvidas), ex-maridos ou ex-mulheres.

Existe, também, o fator da “gangorra etária”. Os homens solteiros de 50 geralmente não estão procurando mulheres de 50, mas sim de 20 e poucos ou 30 e poucos. E as mulheres de 50, então, ficam com os homens de…?

Também na onda da “gangorra etária”, mas não somente nesse caso, há homens bem sucedidos bastante preocupados com o tipo de mulher que andam atraindo.

Parece que existem algumas mulheres que estão bastantes preocupadas com a tal cereja do sundae que mencionei anteriormente: “no money no honey”.

De outro lado, existem caras maneiríssimos mas ainda não estabilizados em termos de grana que seriam parceiros maravilhosos mas não entram nem no rescaldo.

Ou seja, se o cara tem independência financeira, carro e imóvel próprio, ele tem chance. Do contrário, vira subitamente o Homem Invisível.

Já me referi em outro texto ao poder mágico da aprovação no concurso que transforma homens outrora desinteressantes, da noite para o dia, em autênticos deuses gregos, cobiçados por um séquito de ninfas enlouquecidamente apaixonadas.

Casamento não é profissão! Custa acreditar que tantas mulheres, há anos atrás, batalharam incansavelmente pela igualdade e para que todas pudessem ter condições idênticas aos homens de ingresso no mercado de trabalho para retrocedermos a isso!

Também as mulheres têm se deparado com homens que se comportam de forma bastante estranha. Homens que são independentes, até. Trabalham, têm estabilidade finaceira. Mas que parecem desejar algo meio “maternal”: alguém que cate suas meias ou prepare uma jantinha.

Talvez seja uma coisa meio bumerangue da tal Geração Canguru (a tal que permanece na casa dos pais até mais tarde, ou seja, 30 ou mais). Saem da bolsa de uma Canguru e querem se aninhar na bolsa de outra.

Pode não.

No fim das contas, fora os casos patológicos, interesseiros ou criminosos, tanto mulheres quanto homens desejam parcerias, relacionamentos de adultos, pessoas que “cheguem junto”.

Porque não está nada fácil viver hoje em dia. O nosso trajeto — como diz a piada — é cheio de “pedras e serpentes venenosas”. Mas fica mais difícil com alguém que — além de não ajudar — é mais uma pedra no caminho ou uma cobra sempre prestes a dar o bote.

Relacionamentos (todos) demandam investimento. Ledo engano de quem imagina que basta ligar o “piloto automático”. Nessa estrada por vezes tão tortuosa, o que todo mundo quer é alguém para lhe esticar o braço, dar a mão e ajudar a atravessar sem se esborrachar nas pedras.

Ah, com um “pequeno” detalhe.

Não foi à toa que me referi a Ogro, pois me lembrei do Shrek. Não sei se recordam, mas, no segundo filme da série, aparece o tal Príncipe Encantado (inclusive rico), um porre!

O Shrek, fugindo aos estereótipos do “homem ideal” (afinal, é um Ogro), é quem ganha a Princesa Fiona. E não sei se repararam… Em TODOS os filmes, sempre que possível, o Shrek, amigos e amigas, BEIJA MUITO!

Quer um relacionamento maravilhoso? Invista e beije. Beije muito seu amor.

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