MMA
Mamãe, me acuda?!
Em Osasco, uma nova Fabiane. Mas, no caso de Ane (oh, cruel coincidência do Destino), manicure, 26 anos, o furto de “bolachas” (perdoem-me os paulistas, mas seriam biscoitos mesmo, como se fala quase do mesmo jeito, quase no mundo inteiro) e não o sequestro de criancinhas pra fazer mingau satânico foi o motivo do “justiçamento” (eu usei mesmo esse termo?).
Ane, sim, foi sequestrada por dois energúmenos, mediante paga por uma tal Renata, a dona dos biscoitos. Levada para um barraco, foi brutalmente torturada e morta. Ah, claro. Foi tudo filmado. Através de denúncia anônima, a polícia chegou ao vídeo e Renata e os irmãos metralha já estão presos.
No Rio, Mikhaila, 22 anos, estudante, interrompeu um linchamento de um homem que acabara de furtar ou roubar um celular. Esculhambada por populares, ainda teve de aguardar meia hora (sendo hostilizada e até ameaçada) a chegada da polícia, tudo para ouvir das autoridades a gracinha: “se gosta de bandido, leva pra casa”, seguida de salva de palmas da galera ensandecida.
Mikhaila, estava certa, todos os outros mais estavam errados, ninguém pode fazer Justiça com as próprias mãos.
Esse ladrão que teve sua vida poupada pelo seu gesto isolado e corajoso não era um inocente como Fabiane, nem havia cometido um ato tão banal quanto Ane, mas nem por isso e nada mesmo justifica que soltemos os cachorros e os leões em cima dele.