Eu estou correndo em um campo de flores, folhas caem a minha volta das árvores altas que não são capazes de esconder o sol que brilha em um céu limpo. Forte, o sol joga a minha sombra e das árvores a minha volta longe no chão, ressaltando seus galhos longos no leito do rio fluente ao meu lado, um largo rio que corre sem retenções, em um fluxo orgânico com peixes de água doce. Ainda mais forte é o sentimento que carrego comigo enquanto eu corro. A sensação que percorre todo meu corpo, uma forma de me sentir vivo, de me sentir livre, sem correntes.

As correntes da esperança. O rio ao meu lado corre em uma cor vermelha viva, os corpos caídos no leito sujaram a água a ponto da água hoje ter apenas a cor do néctar que faz a vida humana existir, o ódio carregado por essas águas fez todos os peixes morrerem, se transformarem em massas de espinhos e carne marinha em estado de putrefação. As árvores não mais possuem folhas, os galhos são braços de madeira esticados em direção ao céu pedindo que uma ajuda divina venha nos salvar, uma força que nunca veio e nunca virá, não há ninguém para ouvir o clamor. Meus pés pisam em flores mortas enquanto corro, folhas que antes exalavam vida, mas minha presença as drena a esperança, lhes drena a forçar a vontade de continuarem existindo, a única fotossíntese que fazem é com o ar recheado de fuligem, com a água que mais parece sangue ralo e o sol vermelho, morto pela guerra interna do homem contra sua própria vida. Um círculo de perturbação que faz a Grande Depressão parecer uma crise de meia idade ou um surto de um playboy que foi roubado. No que isso implica? Em nada mais do que o estado material de uma existência morta, o reflexo de uma mente decadente que se corrompe e quebra, criando estilhaços em formas de palavras que cortam pulsos e jugulares. Abraços aos que correm pela Terra de Ninguém e beijos aos que morrem sem saberem se existem.

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