João Brum
Aug 29, 2017 · 4 min read

Não sei aonde estamos, acredito que em um ônibus, um daqueles grandes com poltronas confortáveis, vejo a cidade do meu lado esquerdo e meu homem do lado direito. Está frio, mas ele parece viajar em pensamentos. Estico meu braço direito e envolvo seus ombros em um abraço quente trazendo-o de volta para a realidade. Ele recosta sua cabeça em meu ombro e me dá um beijo na bochecha, um beijo molhado, típico de quem quer alguma coisa. Eu abro um pequeno sorriso quando ele afaga minha nuca com a testa e vejo que o ônibus esta quase vazio, de todos os lugares possíveis sentamos aqui, longe dos olhares curiosos de alguns desgarrados. O nariz dele se encosta em meu pescoço, eu sinto sua respiração pesada, constante.

- Eu já disse que isso me arrepia – eu digo em tom de alerta que não deve ser seguido.

- Por que você acha que eu sempre faço? – ele responde com uma voz trovadora porém doce. Eu sinto seu hálito contra meu pescoço, sinto o gosto de cereja pela minha pele exposta.

- Ridículo. – nenhuma palavra além dessa consegue sair da minha boca, pois logo em seguida eu sinto os lábios molhados mais uma vez.

Dessa vez meu pescoço sente a pressão de sua boca contra ele, sente o toque molhado de seus lábios carnudos contra a pele e se arrepia como porco espinho amedrontado. Eu não consigo me mexer, quero levar minha mão até a nuca dele, segurar seu cabelo, mas meus braços não respondem.

- A melhor habilidade que o ser humano desenvolveu no passar dos milênios é a capacidade de convencer as pessoas a fazerem algo apenas usando a boca. – a voz dele soa conspiradora, inteligente, uma voz que faria você trair sua família por ele, uma voz que te faria gemer dizendo apenas algumas palavras. – Eu aprendi que quando você sente uma brecha de quem está te ouvindo, você deve ir até o final, mesmo que seu cérebro diga o contrário.

- E o que te faz pensar que eu dei uma brexa? – eu digo sem saber ao certo o que era, eu nem consigo raciocinar direito agora.

- Desde que eu comecei a falar você não se mexe.

Eu não sei o que está acontecendo, mas minhas pernas tremeram ao ouvir isso. Minha mão, que antes recostava sobre suas costas, agora afaga o cabelo do homem ao meu lado, sinto os cachos de sua cabeça se desfazendo contra os meus dedos, sinto a boca molhada desse ser de prazer contra a pele de meu pescoço, de minha nuca. Sua mão desliza pela minha perna, minha coxa se arrepia ao contato por cima da calça, sinto o calor de seu sexo a distância, sinto o cheiro de tesão. Minha orelha contrai com uma mordida, meu brinco fica molhado, mas eu não me importo. A mão sobe mais uma vez, ela chega ao encontro do meu sexo, de minha intimidade. Minhas duas pernas se esticam, se alguém estivesse na nossa frente começaria a reclamar agora. Levo minha mão esquerda de encontro com seu rosto, nesse momento o que mais quero é lhe beijar, mas os beijos que você me dá são demasiadamente bons para serem interrompidos. Enquanto uma mão alisa seus cabelos, a outra modela os sulcos de seu rosto. Uma de suas mãos está nas minhas costas, a pele que você ama tanto acariciar, enquanto a outra está quase dentro de mim, quase tocando meu coração. Isso é um ônibus, mas eu não me importo, não me importo com as câmeras, com as janelas. Minha mão desliza pelo seu peito e vagueia barriga até chegar em sua virilha. A carne rígida sobreportas por jeans preenche minha mão que esquenta ao sentir que você está tão excitado quanto eu. Aperto mais forte, quero sentir toda a energia que você emana, toda o prazer que você sente. Sinto que você geme ao toque, sua respiração pesa mais e os beijos viram uma mordida poderosa. Sua mão vem de encontro ao meu pescoço e vira minha cabeça para a sua, fazendo nossas bocas se misturarem em um turbilhão de lábios, língua e saliva. Sua mão dece novamente, depois de cravar eu meu seio as marcas de seus dedos, vermelhos com o toque massudo de sua mão larga. A mão que desce pela minha barriga dessa vez invade minhas calças, invade minha calcinha a muito tempo molhada, e encontra caminho livre para me causar prazer. O primeiro toque me faz estremecer e apertar ainda mais minha mão no entorno de seu sexo, enquanto eu gemo e coloco a cabeça para o alto, eu seguro a boca para não gritar mais alto, mas você beija meu pescoço como se a sua vida não tivesse sentido caso não fizesse. O ônibus para, mas nós não ligamos, sinto movimento de pessoas entrando e saindo do ônibus, mas o único entrar e sair que importam são os dos seus dedos. Me sinto vulgar, mas o prazer me impede de pensar em parar, me sinto exposta, mas para você sempre estarei assim. Sinto minha mão abrir seu zíper sem ter controle sobre minhas mãos, sinto o calor tomar conta de mim de uma forma que eu não sei descrever melhor do que uma massa de carne pulsante em minhas mãos.

- Me possua. – digo sem nem mesmo pensar nas palavras.

Nosso ponto chega, estamos próximos de sua casa.

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    João Brum

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    Não nos submetemos ao terror, nós o criamos.

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