As Trilhas Sonoras Mais Sombrias da História do Terror
Nossa lista de clássicos do terror da década de 70 e 80 e suas trilhas sonoras macabras que mudaram para sempre a forma como sentimos medo. Por Thiago Pisco (yako pisco )
The Perfum Of The Lady in Black (O Perfume da Dama de Negro) (1974) — Francesco Barilli

Sylvia, uma cientista industrial, é atormentada por estranhas alucinações relacionadas ao suicídio de sua mãe. Esse clássico cult do cinema italiano da década de 70 foi gravado em 8 semanas e tem, possivelmente, uma das trilhas sonoras mais complexas do gênero. Com a chamada “Valsa da Morte” o compositor italiano Nicola Piovani nos introduz a um universo extremamente nostálgico e ao mesmo tempo muito macabro.
Confira a trilha sonora aqui:
The Thing (O Enigma do Outro Mundo) (1982) — John Carpenter

Talvez o filme mais avant-garde da lenda chamada John Carpenter. O diretor que é responsável pela criação de uma das mais icônicas franquias do cinema, Halloween, tem também inúmeras participações em trilhas sonoras de filmes e séries como Stranger Things, e até mesmo Os Simpsons! Embora hoje seja considerado um clássico do gênero, The Thing foi extremamente mal recebido pelos críticos e um fiasco de bilheteria na época. O mal desempenho do filme fez com que o gênio John Carpenter ficasse 9 meses sem conseguir trabalho. Difícil de acreditar. A trilha sonora desse filme é assinada por Ennio Morricone, um dos maiores compositores da história do cinema italiano.
Confira a trilha sonora aqui:
The Fly (A Mosca) — David Cronenberg (1986)

Sem sombra de dúvidas o filme mais nojento da lista tem a trilha sonora tão sombria e esquisita quanto o filme. Jeff Goldblum reforça a máxima do cientista maluco quando acaba se transformando em uma mosca gigante após uma experiência dar errado. A frase “Eu sou um inseto que sonhou ser um homem e amou, mas agora o sonho acabou e o inseto acordou” dita pelo cientista é uma referência à famosa obra de Franz Kafka “A Metamorfose”.
Confira a trilha sonora aqui:
The Fog (O Nevoeiro) (1980) — John Carpenter

Outro clássico de John Carpenter, o filme de baixo orçamento e totalmente independente figura na lista com sua trilha sonora fria e sombria. O tema tocado no piano por Carpenter representa bem o clima assustador da pequena cidade litorânea que tem suas ruas tomadas por uma assustadora névoa que surge exatamente 100 anos após um naufrágio em suas águas.
Confira a trilha sonora aqui:
Halloween (1978) — John Carpenter

O tema demoníaco que acompanha Michael Myers durante sua jornada de sangue e ódio é o resultado perfeito do talento de John Carpenter. O diretor que não se contentava apenas em escrever seus filmes, mas também em criar sua atmosfera, se perpetuaria como o maior expoente do gênero após o primeiro filme dessa enorme franquia. O clássico arrecadou, na época, $48 milhões de dólares, equivalente a $150 milhões nos dias atuais, o que o torna o filme independente mais bem sucedido de todos os tempos! O piano tocado no filme é macabro o bastante para tirar o sono de qualquer novato no terror.
Confira a trilha aqui:
The Exorcist (O Exorcista) (1973) — William Friedkin

Quem não ficou sem dormir depois de assistir esse filme ou de ouvir as várias histórias, nem sempre verdadeiras, envolvendo a sua gravação não sabe
o que foi crescer assistindo a filmes de terror. Esse colosso do gênero, e possivelmente de todos os tempos, foi durante quase 40 anos o único filme de terror a ser nomeado ao Oscar, sucedido apenas em 2017 por Get Out! (Corra!) (2017). Sua trilha sonora já foi acusada de ser responsável por vômitos durante a exibição do filme na década de 70 e já tirou o sono de muita gente. Friedkin lançou recentemente um documentário pela Netflix onde conta um pouco sobre os estudos feitos para a criação do filme e ainda participa de uma sessão de exorcismo real em um vilarejo italiano.
Confira a trilha sonora aqui:
Prince of Darkness (Príncipe das Sombras) (1987) — John Carpenter

Uma equipe de pesquisadores descobre um cilindro misterioso que, se aberto, pode significar o fim do mundo. Escrita sob o pseudônimo de Martin Quatermass, a trilha sonora é a combinação perfeita das experiências que Carpenter teve enquanto criava soundtrack para seus filmes de Sci-Fi e Terror. O filme é guiado por uma ambientação repleta de sintetizadores que reproduzem arpejos repetitivos e criam uma atmosfera extremamente futurística.
Confira a trilha sonora aqui:
Menções honrosas
It Follows (Corrente do Mal) 2014 — David Robert Mitchell

No começo dos anos 2010’s, voltaríamos a ver um revival do horror synth em alguns filmes de terror. Fortemente influenciados pelos trabalhos de John Carpenter e Ennio Morricone, os responsáveis (aka Disasterpiece) por essa magnífica trilha sonora conseguiram passar para os espectadores a angústia de ser perseguido, aleatoriamente, por uma entidade que muda de corpo, após receber um maldição que passa de pessoa para pessoa através de relações sexuais desprotegidas. Há quem diga que o filme faz uma analogia ao perigo das doenças sexualmente transmissíveis contraídas pela forma irresponsável como os jovens se relacionam. De qualquer forma, os sintetizadores contínuos dessa trilha são de tirar o fôlego de qualquer um. Os barulhos de metais batendo no chão passam a sensação de estar sendo seguido por algo macabro em um ambiente pós-industrial e ao mesmo tempo suburbano.
Confira a trilha sonora aqui:
Stranger Things (2016) — Ross Duffer, Matt Duffer

A série sensação há alguns anos não é apenas um revival do horror synth, mas um revival completo da década de 80 inteira. A trilha sonora é descaradamente influenciada pela onda de horror oitentista, mas também mostra referências importantes como Joy Division, Bowie e The Clash. O sentimento de nostalgia causado pela franquia só pode ser explicado pela excelência em apresentar a riqueza de detalhes da época, emulando perfeitamente, desde comerciais até jogos de fliperama, como seria acabar envolvido em um experimento mal sucedido de um bando de cientista malucos brincando com monstros de outra dimensão. Esse monstro de referências, certamente, será considerado um clássico ao lado de outras lendas do gênero. É apenas uma questão de tempo.
Confira a trilha sonora aqui:
