Travessia Araçatuba — Monte Crista

Vou fazer um relato de uma das experiências mais intensas que vivi em 2017. A Travessia do pico Araçatuba em Tijucas do Sul(PR) até a base do Monte Crista em Garuva(SC). Essa travessia é algo conhecido entre os montanhistas, normalmente essa travessia é realizada em 3 dias, caminhando e acampando. Até que então, no ano passado um grupo de amigos teve a idéia: Porque não fazer correndo? Para mim, o convite veio no ano passado, mas tive que declinar nas semana da véspera, voltei com uma lesão leve da Naventura de Garopaba.

Esse ano, o convite foi repetido, com uns dois meses de antecedência. Foram uns dois meses de preparo, planejamento,organização e como já é comum muitas desistências. A travessia é um treino muito pesado, bastante difícil de ser feito(pois precisa ter navegação em alguns momentos devido a ausência de trilhas em alguns trechos) e muito perigoso devido ao difícil acesso, o que torna demorada a remoção em caso de acidente(que podem ser uma lesão mais grave, ou até mesmo um acidente com animal).

E chegou o grande dia!!

Todo mundo feliz antes de encarar o Araçatuba

A logística da travessia é muito simples, 3h30 da manha todo mundo no monte crista, deixar os carros no estacionamento da base para pegar a van e partir para o pico Araçatuba. Todos os participantes tem que ser autossuficientes, ter celular carregado, lanterna, lanterna reserva e capacidade de navegação. Pouco antes das 5 horas da manha estávamos na entrada da trilha do Araçatuba.

Esse ano foram 18 participantes humanos, mais o Dudu( cachorro do Tarso, ali no canto inferior esquerdo da foto) além dos 3 labradores da Fazenda Araça que nos seguiram. Os 4km da subida do Araçatuba levou em torno de uma hora, deu tempo de pegar o sol nascendo.

Foto oficial travessia 2017

Próximo trecho é um dos poucos de mata realmente fechada, tem um nome bastante sugestivo: INFERNO VERDE. O nome já deixa claro como é transpor esse trecho. Após passar esse trecho, descobrimos que pegamos um ótimo dia para essa travessia, um dia lindo, céu limpo e frio.

Foto depois de vencer o inferno verde( Patríce, James, Lucas, João Hardt, Leandro e eu)

O Grupo que largou, foi se dividindo em 3 grupos, as vezes 4 grupos, tudo depende da velocidade.

Depois de transpor o inferno verde, passar o morro da Baleia(acho que é esse o nome), já com uns 10Km já percorridos, vem um trecho de uns 10km de estradões, a área da comfloresta. Uma área de plantação de Pinus e Eucaliptos para reflorestamento. Esse trecho é tecnicamente fácil de ser percorrido, mas sem navegação é um verdadeiro labirinto, muitas estradas, sem marcações e muitas bifurcações. Além é claro que precisa pegar uns atalhos.

Campos do quiriri
Cãopanheiro na travessia

Ao chegar nos campos do Quiriri, passamos a correr em um trecho que não tem trilhas marcadas, precisa navegar, um campo de vegetação rasteiro. Lugar lindo, o principal comentário era: Parece que estamos correndo na tela do Windows. Fomos até a antena do Bradador, ponto que combinamos de almoçar.

Nosso Cãopanheiro apareceu de novo na hora do almoço e dividimos comida com ele.

Depois do almoço, só mais 20Km pela frente, mas pra mim viria a parte que acho mais chata, descer o monte crista, até hoje não gosto disso.

Dai pra frente não tenho mais muitas fotos, eu perdi uma câmera 4k nova na descida do monte crista, já no ínicio da noite. Resumo, foram 52km em 14h30min de movimento para mim.

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