A cidade e o poeta

Nos becos-vísceras da cidade
 vive um poeta
 Oculto nos sorriso fáceis & falsos
 Nessa cidade de muros baixos
 E gente alta
 O poeta rasteja ocultado pela própria solidão
 Coberto por sua baixeza
 De linhas tortas
 Em um mundo de retidão
 Nessa cidade que tanto renasceu
 Que não sabe mais morrer
 
 A cidade urge
 
 Por debaixo do Olimpo do progresso ouvem-se
 Cantilenas tectônicas da metade abolida
 Não são tempos de poetas
 Não são tempos de papéis
 No mundo das telas sensíveis
 Dos sorrisos plásticos
 Dos beijos fugazes
 
 A cidade urge
 
 e não tem tempo pra poesia

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