Experimento 0.1.5

O rosto se torna disforme defronte ao espelho, os olhos inchados escorrem lágrimas negras, a boca vermelha & farta continua para além dos lábios e parece chegar até as orelhas. Tudo parece se confundir e nada parece fazer sentido. Alice sabe o porquê. Ela ri lembrando de um certo palhaço insano, daria um ótimo cosplay, bem a lá Heath Ledger, em outro momento talvez tirasse uma foto de si mesma e postasse no facebook, muitos likes pra um Sad Joker. Mas foi ali que começou, Alice foi julgada pelo panopticon pós-moderno, o controle social perfeito, consciente & intencional, como admitir o próprio crime quando se aprende a castigar a si mesmo, a se odiar? O crime & castigo perfeito, o ostracismo que a afasta de quem nunca conheceu, bastava postar uma foto qualquer, admitir pro mundo que fez o que não podia, que traiu os amigos que mais amava, embora nunca tenha trocado beijos & abraços com nenhum deles, nunca tenham lhe afagado o cabelo como Jorge fez, nem gozado como ainda a pouco gozara. Claro que gozara, claro que já lhe afagaram o cabelo e claro que trocara beijos e abraços, a dor reside na diferença subjetiva de um e e um &. Na loucura exagerada & inconsequente que só uma mente tão tola poderia permitir.
 
 A psiquê fragilizada aceita a minha entrada e agora penso por ela.

Alice lava o rosto, limpa a maquiagem e sai pela porta da frente do barraco de Jorge. Um sorriso no rosto carregado em passadas de ritmo célere. Não permito que os pensamentos fúteis tomem meu lugar, acelero ainda mais a passada enquanto sinto as coxas magras latejando, talvez desacostumadas com o peso do próprio corpo em terreno mais irregular que um piso de shopping. Bato na porta da casa que seria meu destino, cuspo verdades que todos conhecem, fingem que acreditam embora optem pela mentira. O que houve contigo, Aline? Achei um namorado atencioso & real. Foda-se essa puta, vai embarrigar do classe c ali. Que tem uma pica maior que a tua, viagra boy. Dois passos pra fora e Alice desperta, me expulsando com uma lágrima solitária e um sorriso aliviado. Quem é você, o que você fez? Meu silêncio nega minha existência sanidade & loucura enquanto a realidade caótica de onde nasci retoma sua forma original plana & branca.

Materializo na imaginação louca de um bêbado que ri.

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