TO RETURN

25 de Abril de 2016.

Avião. Sorriso de canto de boca na decolagem. Copo de vinho branco.

A volta da Jamaica não significa a volta pra casa. Não significa a volta pro Brasil, a volta pro Rio. Significa a minha volta pro meu corpo. Significa a volta da minha felicidade, do meu entendimento sobre mim, quem eu sou, a personalidade que tenho e a noção da dimensão do que sou capaz de fazer.

Não sei nem contar quantos dias estive aqui. Tem uma nuvem no meu pé que me fez flutuar por entre as experiências inenarráveis que vivi nessa viagem e que não me permite ter completa noção de que dia cheguei, de quantas noites eu dormi, de quantos sorrisos eu dei.

5 Lições que aprendi na Jamaica:

1) Be Grateful.

Conheci um Ninja que tinha alarme no celular com o seguinte lembrete: Be Grateful. Todos os dias, quando esse alarme toca e essa frase aparece no celular dele, ele para o que está fazendo pra pensar nas coisas pelas quais ele é grato. Grato por estar onde está, fazendo o que está fazendo, com quem está fazendo. Grato por respirar, pelos amigos que tem, pela pessoa que é e por quantas vidas pode transformar sendo o que é. Dizem que ele é Ninja porque sabe cair de alturas absurdas sem se machucar, fazer parada de mão no alto do penhasco, dar mortal acrobático. Eu acho que ele é ninja porque sabe ser grato.

(Obrigada, Travis Ninja. Por me ensinar o valor de ser grata!)

2) “Never, Ever Stop Dreaming on it”

Numa noite de inglês fácil via Red Stripe (cerveja típica Jamaicana) ,esboçado numa conversa com novos amigos californianos, comentei que minha expressão americana preferida era “Sleep on it”. Uso essa expressão até falando português. Quando se fala isso o que se pretende é colocar a pessoa pra pensar na mensagem passada. “Dorme com essa” “Coloca a cabeça no travesseiro essa noite e pensa nisso” “Digere isso”. Depois dessa noite, por dias usamos essa expressão pra quase qualquer coisa que acontecia. A grande questão é que toda noite na Jamaica eu tinha motivos pra sonhar com o que estava acontecendo. Toda noite eu colocava a cabeça no travesseiro e relembrava o dia mágico que eu tinha vivido. Não demorou nada pra gente trocar o Sleep pelo Dream. “Dream on it!”. Na minha última manhã na Jamaica, achei o pedacinho de madeira que sobrou dos cortes feitos para construirmos o primeiro Ninja Park voltado para desenvolvimento social com um recado da Casey:

“Never, Ever Stop Dreaming on it!”

I`ll not, Casey!

(Obrigada, Travis, Casey e Nicholas, por me incentivarem a continuar sonhando)

3) Have Fun!

Eu estava prestes a entrar numa postura de Acroyoga com o fundador do esporte, a câmera pra gravar o vídeo estava configurada. A roupa escolhida, a sequência de movimentos na cabeça. Minha expressão estava quase séria dada a concentração pré-execução dos movimentos. Olhava pra frente e esperava o primeiro sinal dele para começar a praticar. Nesse momento, ele parou. Olhei pra baixo e ele me perguntou: “Why we do Acroyoga?” Mil coisas passaram na minha cabeça. Ele respondeu: “Because it`s fun!’

Era essa a chave. Porque a gente estava ali? Porque a gente fazia Acroyoga? Porque eu tinha escolhido investir tanto dinheiro, tempo e energia naquilo? Não… o objetivo maior não era ter lucro, certificado ou milhões de visualizações num vídeo. O objetivo era me divertir! Fazemos Acroyoga porque a gente se diverte. A gente tem que fazer o que faz a gente feliz, pra ser feliz.

No dia seguinte fui fazer um vídeo de Pops com o Julio. Estava prestes a pular no pé dele e esperar pelo impulso que me jogaria pro alto e me receberia de novo nas mãos. Sorriso no rosto e ele pergunta: “Why we do it?” Eu respondi “Because it`s fun!”

(Obrigada, Jason e Julio, por me lembrarem o sentido do que faço)

4) “I am Strong!!!”

Últimos dias de treinamento de AYFit. Não me lembro o nome dele porque comecei a chama-lo de “Bear”. Era um homem gigante, personal trainer em Nova York. a quantidade de músculo era proporcional à doçura da sua face. Parecia um ursão gigante. Dava vontade de abraçar. Pra se formar como AYFit Trainer, cada aluno tinha que dar uma aula. A aula dele estava matando a gente! Puro treinamento de Abdômen. A carta na manga que ele tinha pra ninguém desistir do exercício era falar bem alto o “mantra” “I am Strooooong, I am Strooong”. Foi assim que a gente conseguiu fazer tudo. Foi assim que eu cheguei na Jamaica sozinha. Foi assim que eu tive coragem de vir, foi assim que eu decidi, foi assim que eu fui até o final. Foi sendo forte! I am Strong! Vou repetir pra sempre.

(Obrigada, Bear, por me lembrar que eu sou forte! )

5) “Every Little Thing, Is gonna be alright!”

Quinta lição. O copo de vinho branco já está caminhando pelo meu sangue, me fazendo digitar um pouco mais rápido e sentir cada célula do meu corpo. No país do Bob Marley, alguma coisa eu tinha que ter aprendido com ele. Do dia que comprei a passagem pra Jamaica até o dia do embarque muita coisa aconteceu pra me fazer pensar em não vir. Perdi minha vó, minha segurança financeira. Entrei num novo emprego, um dos fotógrafos que iria ajudar na gravação do documentário teve o passaporte negado e minha monografia teve que ser digitada em dois dias. Racionalmente, não era preu ter vindo. Mas eu vim. Um impulso lá do fundo do meu ser me deu coragem suficiente preu pensar que podia me atirar no mundo, porque tudo ficaria bem. Cada pequena coisa, ficaria bem. Não tem dinheiro no mundo que pague o que aprendi aqui. Sobre mim, sobre a vida, sobre a felicidade. Não tem anos de psicólogo na terra que me faça mais determinada do que eu estou agora. Não tem ser vivo nesse planeta que consiga rebater o Bob. Que me diga que não posso continuar porque eu sei que tudo…. ah…. cada pequena coisa vai ficar bem! Onda que segue!

Capitão do voo falando. Hora de aterrisar.

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