Euforia na copa, maturidade na política.

Hoje a seleção brasileira de futebol estreou na Copa do Mundo, na Rússia. Amada, odiada ou apenas tolerada, é inegável a relevância da competição aqui no Brasil. Por coincidência — ou não — as copas do mundo ocorrem nos mesmos anos das eleições federais e estaduais do “país do futebol”.

Nessas condições, e principalmente em momentos de crise política, muitos passam a criticar a copa e o esporte, afirmando que seriam o ópio do povo”. Nesse sentido, o evento seria utilizado pelos políticos e demais “donos do poder” para distrair e entreter a população, mantendo assim a exploração e domínio dos poderosos sobre o povo.

Não nego a realidade desta crítica, na verdade concordo com ela, em partes. Embora muitos sejam alienados pela competição e pelo esporte, penso ser possível gostar e se emocionar com eles sem, contudo, se tornar um escravo do sistema.

Até que ponto esse “ópio” é algo ruim? E se pudéssemos estudar e entender essa “droga” para fazer uso saudável e inteligente dela? Embora o ópio (a substância) tenha seus malefícios, ele também pode ser utilizado para aliviar as mais terríveis dores. Não seria possível se emocionar com o futebol, vibrar, gritar, dar espaço a esses importantes momentos de despreocupação e liminaridade, sem, contudo, negligenciar questões políticas? Não seria possível fazer uso saudável dessa “droga”?

O ser humano tem a grande habilidade de se adaptar aos mais variados ambientes. Talvez não seja necessário parar de se emocionar com o futebol (ou qualquer outra prática cultural) para poder se importar com questões “mais sérias”. Talvez seja possível saber qual postura tomar de acordo com as situações. Talvez seja questão de maturidade.