Sobre política #1

“Em quem você vai votar? ” Talvez seja a pergunta do ano.

Votar é uma das principais formas de participação política da história e no Brasil faz pouco tempo que todos podem escolher os representantes por meio do voto. Embora essa conquista seja muito importante e demonstre um certo amadurecimento na consciência política do país, ainda temos muito a aprender. Nossa imaturidade política é clara.

Quando tomamos a rua para demonstrar nossa insatisfação, mas pedimos o retorno ao passado autoritário como solução dos problemas, fica clara nossa imaturidade política.

Quando não somos capazes de perceber e apontar as falhas das lideranças e movimentos em que um dia acreditamos, fica clara nossa imaturidade política.

Quando ainda acreditamos que problemas sociais serão facilmente resolvidos por meio da violência, da segregação e eleição de um inimigo, fica clara nossa imaturidade política.

Quando cremos que um ser de carne e osso, contraditório e falho será nosso salvador da pátria, fica clara nossa imaturidade política.

Política, se voltarmos à obra de Aristóteles, diz respeito à pólis, ou seja, à cidade, ao espaço público, ao convívio, a tudo aquilo que é sociável e social. Sob essa perspectiva — da qual eu tendo a concordar — todos aqueles que compõem esses espaços estão envolvidos na política

Você é um ser político. Ao conviver com seus vizinhos de bairro ou de condomínio, você está fazendo política; ao conviver com seus colegas de classe na escola ou na faculdade, você está fazendo política; ao se relacionar no trabalho, você está fazendo política.

Política é debater e agir tendo como pergunta fundamental “qual o melhor convívio social? ”. Portanto, se você está descontente com a forma como temos convivido, nada melhor do que passar a agir de acordo com o ideal de sociedade que se quer.

Se quer uma sociedade sem preconceito, tente não ser preconceituoso. Se quer uma sociedade sem corrupção, tente não ser corrupto. Se quer uma sociedade menos violenta, tente ser menos violento.

Votar em representantes de tempos em tempos é participar da política, mas as ações e escolhas de nosso cotidiano também o são, e talvez sejam as mais impactantes.

Somos políticos e não existem salvadores da pátria.