Na Garupa

Hoje pela manhã fui ao parque com a Lelê.
Estacionei o carro, olhei o banco traseiro e percebi que ela tinha adormecido.
De modo automático, saí do carro, abri o porta malas para pegar o carrinho de bebê e fazer uma caminhada.

A duração dessa caminhada não seria definida por mim, pelo relógio ou pela condição climática. A possibilidade de fazer algum tipo de exercício dependeria da sorte. A sorte de passar despercebida por todos do parque para que Helena continuasse em seu sono angelical. Uma caminhada que deveria ser relaxante viraria uma guerra mental contra pessoas, passarinhos, máquinas de cortar grama e meninos jogando basquete.
“Que audácia um senhor dar bom dia a uma criança que está dormindo.”

Para minha surpresa, tinha esquecido o carrinho de bebê em casa. Porém não tive a reação de sempre. Não me irritei, não me culpei e não voltei para casa.
Olhei pro céu, para o sol, para todos os aposentados felizes que passavam em direção as quadras com suas raquetes de tênis e fui para o carro, peguei a Helena no colo que em segundos despertou animada. Seguimos em direção ao quiosque de locação de bicicletas.

A cadeirinha foi colocada entre o guidão e o meu banco. Mesmo sem conseguir ver o rosto de Helena, eu podia sentir seu sorriso, sua alegria e sua energia.
Eu parecia a criança da história. Livre. Sem máscaras e sem medos; sem cobranças e sem amarras. Assim como toda criança é e qualquer adulto deveria ser.

O passeio era meu e dela. E isso podia acontecer junto. Não era ou uma ou outra. Não era um pingue-pongue, onde a alegria cada hora estava de um lado da mesa.

Voltamos para casa realizadas como se tivéssemos flutuado pelo mundo num balão, sem ter hora pra voltar.