Por que votarei na Marina?

Não que alguém tenha pedido ou se importe, mas resolvi tornar público meu apoio à candidatura da chapa da Marina Silva e Eduardo Jorge. Viver é tomar partido e estou disposto a sair da zona de conforto da isenção. Vou detalhar os pontos que eu levei em consideração para a minha escolha, em ordem hierárquica:
1) Quero uma sociedade que respeite seus cidadãos independente de cor, gênero ou orientação sexual. Quero um Estado laico, onde cada um tenha a liberdade de exercer (ou não) qualquer que seja sua fé, sem que uma seja privilegiada em relação a outra. Quero um presidente que respeite os valores da democracia liberal e não um que flerte com a ditadura. Os candidatos Bolsonaro e Cabo Daciolo representam um perigo à essa sociedade, motivo pelo qual não votarei em nenhum dos dois.
2) Quero um candidato que represente uma quebra com a velha política. Não vejo esperanças em votar em um candidato de um partido que já tenha uma grande estrutura de poder montada, a qual precisa de muitas trocas, favores e corrupção para se manter. Portanto, candidatos como Alckmin, Meirelles e Haddad, respectivamente do PSDB, PMDB e PT, não terão meu voto.
3) Quero um candidato que consiga conciliar as pautas sociais com as pautas econômicos e que não veja o Brasil ou como um grande DCE ou como uma grande empresa. Aqui eu incluo Boulos e Amoedo. Embora sejam de espectros opostos, eu vejo um distanciamento da realidade brasileira em ambos.
Passado esses três pontos, sobram 2 candidatos: Ciro Gomes e Marina Silva. Candidatos, aliás, que considero muito parecidos. Ambos estão mais perto do centro do espectro e conseguem dialogar bem com os diferentes lados. Mas me decidi pela Marina no 1º turno pelos seguintes motivos:
- Se teve algo que o Michel Temer nos ensinou é que devemos ficar atento aos vices da chapa que iremos votar. A vice do Ciro Gomes é a Kátia Abreu, ganhadora do prêmio Motosserra de Ouro e historicamente ligada à bancada ruralista. Do outro lado, temos Eduardo Jorge, ambientalista e promotor de várias causas progressistas. Sinceramente, não tem comparação! No meu primeiro ponto eu falei que eu queria uma sociedade mais inclusiva e isso significa também uma sociedade que não tire as terras de indígenas e que promova o desenvolvimento sustentável, de tal forma que nossos netos possam usufruir dos recursos que temos hoje. Inegavelmente, as melhores propostas ambientais e de desenvolvimento sustentável entre todas as chapas são a da Marina Silva e do Eduardo Jorge.
- O Ciro tem um plano econômico mais nacional-desenvolvimentista enquanto o da Marina é mais de mercado. As evidências científicas que apontam que a economia de mercado está relacionada ao crescimento econômico são muitas! Steven Pinker no seu livro de 2018 “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress” dedica um trecho para mostrar como a economia de mercado está relacionada à geração de riqueza e a melhoria de vida da população mais pobre. Em um artigo da Journal of Economic Surveys (link abaixo), há evidências de causa-efeito entre uma maior abertura da economia e o crescimento econômico. Eu não acho que o Estado seja o mal encarnado como alguns, mas acredito que o Brasil precise de uma máquina pública menos inchada, uma gestão pública mais eficiente e uma desburocratização e desregulamentação de setores. Vejo na Marina a possibilidade de tais mudanças serem executadas começando de cima para baixo e com consciência social, diferente de como está sendo feito no atual desgoverno.
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.0950-0804.2006.00278.x
Reiterando que não acho que o Ciro Gomes seja um mau candidato, mas acredito que parte do seu appeal esteja mais na maneira enfática e na retórica espetacular com que ele passa o seu conteúdo do que no seu conteúdo em si. A Marina, por outro lado, é vista como frágil, mas pra mim uma mulher negra que enfrentou tudo quanto é adversidade pra chegar onde chegou pode ser tudo, menos frágil.
