Mischa

Podemos lidar com o fato de ainda sermos crianças sendo forçadas a crescer?

Não queremos estar sozinhos, mas crescer é solitário e precisamos fazer isso nós mesmos. Ninguém pode facilitar esta dor, então é aqui que vou deixar meu antigo eu, nos destroços do nosso palácio de mármore. Vou guardar as memórias e elas não me machucarão mais porque estarão dentro da minha cabeça, numa juventude ofuscada e perdida.

Preciso disso para me libertar e seguir em frente e daqui já posso enxergar uma nova silhueta minha no horizonte.

Não há mais para onde ir, já corri demais. Não há nada de errado em envelhecer. Já tive minha diversão e agora é hora de achar outra brincadeira.

Fizemos de nossa amizade a base da nossa juventude, apenas para descobrirmos que crescemos e mudamos. As fotos guardam sorrisos de ouro, mas nada dura e algum dia desses, até as fotos tornarão-se opacas, lembranças de nossos dias brilhantes.

E eu estou pensando em nós cada dia mais. Pensando no tempo em que não comíamos tão bem ou falávamos tão bem, mas éramos felizes na ignorância. Coisas jovens e puras bebericando de céu e estrelas, caminhando como jovens deuses.