Peter Pan da Cidade Grande.


Todos os dias nós passamos por eles. Todos os dias nós fingimos que não os enxergamos nas ruas, estejam eles deitados em algum canto, ou prestes a nos abordar.

A maioria das pessoas prefere fingir que eles não existem, apenas para não lidarem com o problema. Só pra jogar de baixo do tapete e seguir a vida.

Por mais que tentemos fugir, eles sempre estarão lá, e quanto mais fingirmos que não estão, mais invisíveis eles se tornarão.

Eles se tornam tão invisíveis que em algum ponto da vida, simplesmente somem. Puff. Como fumaça no ar das cidades barulhentas. Ninguém sente falta. Ninguém se pergunta onde estão, ou o que acontecera. Eles simplesmente desaparecem, como se nunca realmente tivessem existido.

Eles são anônimos. Não têm nome. Não têm dinheiro. Não são gente.

Eles só querem algumas moedas para tornar a viagem mais leve.

Cada um deles é um Peter Pan. O Peter Pan é o garoto que nunca cresce, o garoto destemido que se recusa a seguir em frente.

Eles têm tanto em comum…Eles são destemidos, porque enfrentam coisas inimagináveis para continuarem na condição de sobrevivência, e assim como o Peter Pan das histórias, eles nunca crescem.

Suas vidas acabam antes disso. Eles não têm para onde correr. Eles só têm a Terra do Nunca, que é pra onde vão depois que desaparecem sem deixar rastros, sem deixar nada para trás.

Talvez lá na Terra do Nunca, eles estejam melhores do que aqui nas ruas, onde são tratados com desdém, quando são tratados de alguma forma, né…Lá eles não têm fome de amor, nem de carinho, nem de um lar, e muito menos de comida.

Espero que estas crianças a quem me refiro aqui, encontrem suas Wendys, seus Meninos Perdidos (tão perdidos quanto) e no fim, encontrem suas próprias Terras do Nunca, para que assim possam finalmente crescer.