Ser Flamengo incomoda

Ser Flamengo é algo assustador até mesmo para os rubro-negros mais fanáticos, ainda mais para os rivais. O “ser Flamengo” é algo que muitos toleram, mas jamais engolirão. Porque o Flamengo incomoda, tira a paz, faz auê até em jogo de xadrez. É uma força que ninguém consegue explicar, o sobrenatural se rende.
Fogos na comunidade, é certo, pode conferir, gol do Flamengo. Não precisa assistir na televisão, nem no estádio: estourou, vibrou, tremeu, é gol, é classificação. Se estiver dormindo, Flamengo entra na sua mente, como sonho ou pesadelo, não importa, é uma força do universo que os antis tentam esconder. Mas a cada tentativa, um fracasso, um recibo assinado e timbrado. Não tem jeito.

Amanheceu, é o dia seguinte da classificação para final. Sorriso no rosto, camisa rubro-negra no peito. Me arrisco a dizer que quem é Flamengo não tem orgulho, tem ‘soberba’. Nem mesmo as derrotas mudam isso porque a história se encarrega de rebater qualquer argumento — não dá para culpar o rubro-negro pela falta de humildade, é culpa do Flamengo.
— Parabéns pela classificação, mereceram.
— Que nada, eu já sabia. O Flamengo é f**a!

Rubro-negro é maioria sempre. No ônibus, na escola, no trabalho, no estádio. Mesmo um, no meio de tantos, vestido de Flamengo, representa milhões. E não há quem lhe tire isso, porque o Flamengo não deixa, nem mesmo na mais severa derrota. Quanto mais na vitória. É o povo que grita e não deixa a gente esquecer: vamos, Flamengo! É muita gente, como um vírus que se multiplica dia após dia sem o menor tipo de controle.
E não adianta elogiar, parabenizar, enaltecer por isso ou aquilo. A resposta será sempre a mesma: o Flamengo é f**a. Não tem jeito, deixou chegar…
