Crítica — A Freira (o pior da franquia Invocação do Mal)

ouvi de diversos críticos de cinema que devo assistir a um filme novo sem “nenhuma expectativa”, mas, quando falamos de mais um lançamento de uma franquia consolidada como Invocação do Mal (melhor do século no gênero terror), é impossível não esperar algo interessante. Combinando isso ao título que a própria direção deu ao filme “o capítulo mais tenebroso”, foi criado o hype enorme para A Freira.

E o filme começa bem, os 20 primeiros minutos são empolgantes, com sequências dinâmicas, bons sustos e uma introdução aceitável dos personagens. O problema é que esse ritmo não melhora, continua o mesmo por grande parte da história e até decai próximo ao desfecho. Então sem delongas vamos as duas principais falhas de “A Freira”.

Grande parte dos filmes de terror abusa do suspense na hora de revelar o mal que assombra os personagens. Atividade Paranormal e o próprio Invocação do Mal são exemplos perfeitos disso. Somos inseridos aos poucos na história. O espírito, entidade, demônio, seja lá o que for, revela seu poder gradativamente, fazendo com que as cenas comecem mornas e aumentem de intensidade com o fim do filme se aproximando. Coisa que não acontece em A Freira.

Como já disse, a história começa muito acelerada e talvez a melhor sequência do filme (aquela do padre sendo enterrado vivo) acontece nos primeiros 25 minutos. Sabe quando um amigo conta uma piada e todos riem e ele insiste na mesma piada o tempo todo? Ela perde a graça com o tempo e os sustos acontecem da mesma forma.

O filme não tem vergonha de usar a mesma receita sempre para tentar nos assustar, sombras na parede, vultos passando, abuso de espelhos, sons ao fundo após um silêncio, ambientes escuros, portas sendo abertas… Nas três primeiras tentativas podemos até nos assustar, mas na vigésima já não cola.

Mas por que nos outros filmes isso funcionou? Eles também não eram jump scares?”

Sim, mas os outros filmes conseguem criar um clima de suspense que A Freira não chega nem perto de alcançar. O que nos leva a segunda grande falha do filme, a exposição exagerada da figura da freira. Ela é visualmente bem elaborada e causa desconforto quando a encaramos, mas ela aparece logo nos primeiros minutos e se faz presente em quase todas as cenas, nessa hora o filme erra muito.

Ou você faz um slasher (outro subgênero do terror) e abusa do terror físico como Sexta Feira 13, Massacre da Serra Elétrica e Olhos Famintos ou você esconde o personagem principal, porque expô-lo por tanto tempo acabou com qualquer sensação de medo que a freira pudesse causar em quem estivesse assistindo.

E até agora me pergunto, se o demônio que estava personificado na freira era tão forte como o filme apresenta, por que ele não acabou com tudo no momento que os três personagens principais entram na abadia? Isso combinado a grande exposição da freira faz com que o público deixe de encará-la como algo realmente maligno ou perigoso e logo o medo e o terror de quem está assistindo deixa de existir.

Mas e o alívio cômico? Muitas pessoas criticaram a quantidade excessiva (não pra mim) de piadas ao longo do filme, mas, ao meu ver a comédia inserida na história encaixa perfeitamente, afinal, é tão incomum pensar que algumas pessoas riem e fazem piadas mesmo em situações extremas e perigosas?

Ter um personagem destinado só para ser o alívio cômico do filme é um recurso pouco usado no terror. Porém, mesmo com tantas críticas, achei muito interessante essa ideia, muito melhor que “histeriotipar” os mesmos tipos de sempre, o nerd, a burra, etc.

A história é simples, fraca, o desfecho é previsível, não temos cenas fortes e marcantes como os outros filmes da franquia apresentam, a insistência nos sustos e a exposição exagerada da freira desde o começo tornam o título o mais fraco da saga Invocação do Mal.

Como ponto positivo se destaca a atuação e construção dos personagens, que mesmo sendo carismáticos não conseguem carregar o filme sozinhos, o que é uma pena já que o carisma dos personagens costuma justamente ser o ponto mais fraco nos títulos de terror.

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