Desculpe o transtorno, mas precisamos falar de supermercado

A geração “mamãe já volta, fica na fila”

Uma geração marcada pelo “fica na fila enquanto a mamãe vai escolher as coisas”. Talvez os pais não tenham vivido isso para saberem o quanto é aflitiva a espera pela mãe. Antes que venham me atirar pedras, deixo claro que isso é apenas uma análise bem-humorada, diga-se de passagem.

Tudo começa quando sua mãe te chama para ir ao mercado. Você, um bom filho ou filha, aceita e vai. Crente que iria acompanhar a mãe em mais uma tarde de mercado, se depara com a pior das imagens possíveis: o mercado cheio. Dá um calafrio. Imediatamente, você já sabe o que sua mãe ou pai vai dizer… Você tenta rebater, mas é impossível. Você é praticamente obrigado pela lei natural da coisa. Enquanto está lá esperando e com a perna já doendo, dependendo da fila, começa a olhar tudo em sua volta, em busca de uma esperança. A esperança que o responsável volte logo. Imagino o desespero de uma criança nessa situação. Acho que ela chega a tremer, quiçá o choro desce.

A situação fica pior quando você começa a se aproximar do caixa. Antes, lá no final da fila, você fica “tranquilão” pensando: “De boas, vou tirar uma selfie enquanto a mãe não vem. Duvido que até eu chegar lá na frente, nessa fila quilométrica, ela não tenha vindo”. Pior que isso sempre acontece, você pensa que ela vai voltar e ela não volta. Parece que faz de propósito. SEMPRE. SEMPRE temos que deixar alguém passar à frente. E isso, meus caros, é muito constrangedor. Você é obrigado a dizer que está guardando lugar na fila, esperando que não lhe dêem um soco ou xinguem.

A verdade é que acredito que há uma geração inteira marcada por essa característica e que ao invés de chamarmos de geração Y ou X, devemos chamá-los e englobá-los na geração “mamãe já volta, fica na fila”. Uma geração que não se traumatizou por pouco, mas aprendeu, de certa forma, como oscilar de humor muito rápido em pouco tempo. Pais, não façam isso com seus filhos. Eu, pelo menos, vou tentar não fazer.

Com humor,

Dejair Neto