Se eu recitar ao pé do teu ouvido Vinicius de Moraes “ De tudo ao meu amor serei atento” cairei em clichês. Se eu comentar o quanto me sinto bem em teus braços e quanto eles me acolhem e me confortam e que ali é meu paraíso, é a mesma coisa que afirmar que a chuva é molhada. Se te contar que quando minha mão apenas encosta na tua, parece que o mundo gira mais devagar, é igual falar sobre como é previsível a mudança das cores no sinaleiro. E se em algum momento, lembro do teu perfume, respiro mais fundo e quando sua voz ecoa por todos os meus sentidos me pedindo pra ficar só mais 5 minutos, me sinto como o pior vilão do mundo por ter que ir embora, isso tudo é pleonasmo. Se me perguntarem o que sinto quando vou te encontrar, não precisa mais do que alguns segundos para que o famoso frio na barriga, tão conhecido por todos também me ataque, e olha que é só perguntar, porque quando saio da minha casa pra ir até a sua, minha querida, não sei como não erro todas as marchas do carro. Se te confessar que fico vagueando pelas lembranças de um beijo seu, ou de alguma conversa, aparecer um sorriso no rosto é reação instantânea. Se você tomasse posse do meu computador ou do meu celular, receberia notificações do histórico afirmando que releio teus textos madrugada após madrugada. Ah, minha cara, o que seria sem esses clichês para reconstruir alguém que é destruído em pedaços e se entrega sem segredos quando te encontra. O que sobraria pra explicar algo que me domina, pintado de vermelho e com sorrisos tão doces. E como dizer quando não sei se chamo de sorte o que tive ou presente recebido porém nenhum pouco merecido, se no meu dicionário não tem mais palavras pra agradecer à Deus, ao mundo ou quem quer que seja que tenha traçado essa linha que me ligou à você. Se tem o clichê é porque não quero errar uma única linha sequer, e em todo o tempo te convencer que será sempre você. Vem, me dê a mão, que não perca a intensidade por amor as causas ganhas.

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