A última geração sem internet

Há algum tempo penso sobre esse fato e as teias emocionais, comportamentais, econômicas e sociais que o envolvem.

Trata-se de uma receita ainda em fase de construção em meus pensamentos e reflexões e por isso até agora não me atrevi a escrever sobre ela, tenho os ingredientes mas ainda não concluí o “modo de fazer”.

Mas o incômodo desse fato me precipitou. Porque não quero ser lembrada que sou a última geração sem internet por um comercial de TV.

O fato é que o mundo mudou a partir de uma rede que surgiu na década de 60 a partir de pesquisas militares na Guerra Fria como uma ferramenta importante de comunicação durante o conflito, para resumir de forma superficial sua origem.

Em 1990 surgiu no meio acadêmico e científico somente para acadêmicos e instituições de pesquisas.

No Brasil, a partir de 1995, passou a ter domínio público. Hoje, tem quase 3 bilhões de usuários no mundo, segundo a ONU, com expectativa de chegar a 3,2 bilhões até o final de 2015.

Essa cifra significa que quase metade da população mundial tem acesso à rede.

Hoje, um ser humano na frase embrionária já está conectado à rede através de fotos ou vídeos.

Gerações inteiras mudaram seu modo de vida a partir daí. O mundo nunca mais foi o mesmo. Mudou tudo, até você que lê pacientemente esse texto, quer queira ou não.

Eu vivi em um mundo sem internet até os 23 anos. As pessoas hoje não conseguem ficar mais de uma hora sem ela.

Isso me aflige porque o mundo sempre teve grandes filósofos e pensadores anunciando novos tempos. Onde está a “Bíblia” da internet?

Não me prepararam para a vida com a internet e o modo como impacta todos os minutos de minha existência.

Não sou contra a internet. Mas, para a primeira geração que a experimentou, a da década de 70, ela é vista e usada por muitos de forma parcimoniosa. As gerações atuais respiram através dela.

O que significa ter a lucidez de que a vida não é regida pela rede, mas é sim uma ferramenta dela?

Você precisa utilizar a rede a seu favor e não ser só utilizado por ela. A única inovação da internet consiste em você criar algo a partir dela, num sistema de visão 360 graus.

Você faz parte desse grupo? Ou abastece seu cérebro todos os dias de informações já citadas e as compartilha? O que cria pra você de real e praticável a partir de sua conexão?

Como sua vida mudou com a internet e quanto tempo ela doma sua vida? O que você deixa de fazer quando esta conectado?

O que acha de seus filhos permanecerem conectamos a maior parte do tempo livre deles? Mesmo quando você não vê?

Quais serão os resultados a médio e longo prazo dessa conexão onipresente na humanidade?

Você se preocupa com isso? Acha que isso foi imposto a você ou trata-se de uma “evolução natural”?

Ainda não há respostas fáceis para essas questões mas a internet não para de ocupar cada vez mais espaço no mundo comportamental a ponto de nosso futuro ser inteiramente conectado a ela: pessoas e objetos.

É inquestionável a rede ser utilizada para a evolução de todas as áreas. Mas questiono a rede mudar minha vida, personalidade e todo meu cotidiano,presente e futuro de forma experimental.

Quem é você realmente fora da rede? Quem são as pessoas fora da rede? Qual é o mundo real hoje fora da rede?