JAIME

Jaime sempre chegava como quem não queria nada. 
Com seus olhos famintos, as vezes era de fome, as vezes de carinho.
Mas sempre chegava em uma hora inesperada.
Sua presença era tão forte sentado na soleira da porta que é como se 
fosse sobrecarregada pelos incontáveis dias sumido pelo mundo afora.
E como um devaneio ele sumia novamente num piscar de olhos.
Na sua liberdade de ir e vir não nasceu pra permanecer.
Ensinou sobre o que é ficar mostrando que ausencia não é falta de presença.
A fatalidade do acaso fez ele trazer seu corpo minado de forças e mesmo assim ele estava lá, presente embora com o corpinho debilitado.
E partiu, mesmo quebrado foi embora. As vezes penso que ele vai voltar e sempre sonho com isso.
Mas ele só foi para um lugar mais longe, onde ele realmente é livre pra vagar.
Agora pra sempre.