O menino do Mar

2. Sob o sol, sobre pérolas.

Nada poderia ser

tão sublime como se unir com o todo azul.

Esse agora era seu único desejo.

Sem anseios, entregou seu corpo como a virgem se entrega ao seu amante. Graciosa, tomava tudo que era seu. Sentia-se escorrer para o infinito. Boca cheia de água. Adaptar não seria necessário.

Aquarela — Angelita Cardoso

Deslizou para dentro de seu colossal ventre. Tornou se azul. Perdeu a noção das horas, perdeu a razão de ser, era apenas um com o todo. Envolvido pelo seu canto virou sereia. Seus pés andaram para longe dele. Pés que andaram por muitas terras e saborearam o frescor da montanha. Lugar de onde agora poderia apenas escorrer como um rio afluente e nunca mais voltar. Mas a montanha era o seu lar. A agua que suavizava seu peso e entrava pelas suas entranhas estava se tornando violenta. Sem permissão abusava de seu corpo e escarrava partes vivas querendo mais. Não era seu complemento. Era seu alimento. De milhares de homens, estava sendo apenas mais um. Tão colossal que não precisava de um pedaço de terra. Ela já era completa. Da mesma maneira que o gato julgando ser uma brincadeira brincar com a isca antes do ato final, ele como isca percebeu que aquilo era um sádico engano.

Continuação final

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