O FLUXO DE INFORMAÇÕES NA INTERNET E A COMUNIDADE CIENTÍFICA
Com o advento da internet, a publicação e o acesso de resultados de pesquisa científica, somados a comunicação entre pesquisadores, nos permitem uma contínua geração de pesquisas e publicações científicas.
A internet encurtou as distâncias, facilitou o caminho e acelerou o processo de comunicação. Com isso um grande contingente de pessoas passa a compartilhar e consumir informação neste meio. Claro que com tais melhorias a comunidade científica é um dos vários grupos que se beneficiam delas.
”O fluxo da comunicação científica tradicional, baseado em etapas sucessivas e dependentes entre si, com longos períodos de tempo entre cada instância, passa a ser realizado, no espaço virtual, sem imposições temporais e de espaço físico. A dinâmica de transmissão de informação e de publicação na Internet permite que as ações se sucedam concomitantemente, e não mais em intervalos regulares.”
O fluxo da comunicação científica tradicional passa por 5 etapas: redação, revisão, publicação, indexação e disseminação. Neste fluxo tradicional as etapas estão presas a essa sequência e dependem do tempo e do espaço, já que depende de diferentes pessoas e o resultado de cada etapa são comunicados por meio de documentos impressos, transportados fisicamente de um luga para outro.
”A estrutura do fluxo tradicional da comunicação científica traz uma série de limitações que restringem o acesso aos documentos publicados. Dentre as principais limitações destacam-se: o tempo entre preparação dos manuscritos, aprovação, edição, impressão e distribuição, que leva de meses a anos, dependendo da gestão desse fluxo nas revistas científicas; as dificuldades de acesso e os custos de distribuição das revistas impressas, restritas basicamente a coleções de bibliotecas, não acessíveis durante todo o tempo e a todo público; o alto custo das assinaturas cobradas por editoras ou distribuidoras privadas e até mesmo pelas sociedades científicas; a necessidade contínua de ampliação de espaços para arquivamento das coleções impressas. Essas limitações atingem todos os países, sobretudo os em desenvolvimento.”

Já com o fluxo de informações proporcionado pela internet, a comunicação científica se torna ágil, rápido, dinâmico e interativo, tudo num espaço virtual. Após a aprovação pelos editores o acesso aos artigos científicos é imediato, contribuindo para o aumento da visibilidade dos resultados e pesquisa e leva menos tempo até sua publicação em formato impresso. A dimensão dessa mudança é tanta que, a publicação em papel e a organização em fascículos no novo fluxo de comunicação científica passam a ser subprodutos do formato eletrônico.
“A Internet democratizou o acesso à informação, permitindo que os países adotassem metodologias e tecnologias similares, independentemente de seu estágio de desenvolvimento. Os países em desenvolvimento foram e serão os maiores beneficiados com a publicação eletrônica, que permitiu superar barreiras de visibilidade e acesso à literatura que publicam, antes praticamente inacessível no cenário internacional. Nesse sentido, a BIREME vem desenvolvendo na BVS iniciativas de acesso aberto como a SciELO — Scientific Electronic Library Online.5 Em setembro de 2005, promoveu debate que culminou na aprovação da “Declaração de Salvador sobre Acesso Aberto: a perspectiva dos países em desenvolvimento”,6 que insta aos governos a priorizar nas políticas científicas o fortalecimento das publicações em acesso aberto, de repositórios e de outras iniciativas pertinentes, que contribuam para integrar a produção dos países em desenvolvimento no escopo mundial do conhecimento.”

Com um bom gerenciamento das informações disponíveis na rede, a internet torna-se uma ferramenta extremamente vantajosa. Da mesma forma que a comunidade científica consegue se organizar, comunicar e ajudar uns aos outros, outros tipos de grupos sociais também têm a possibilidade de tirar proveito deste grande fluxo de informações e criar seus próprios ambientes virtuais, como fóruns que abordem temas específicos, concentrando pessoas com um mesmo interesse para trocar ideias, conteúdos e trabalhar em conjunto.
Todos os textos foram retirados do texto de Regina C. Figueiredo Castro no site da SciELO Brasil.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102006000400009