Ainda não me encontrei. Ainda não parei de procurar.

Pode não parecer, mas passei por muita coisa nessa vida.
Eu já tentei esconder, mas as cicatrizes são tantas que já nem sei mais onde estão.

Desde muito cedo eu tive dificuldade em entender o motivo de tanta briga, tanto ódio. Nunca entendi, mas aprendi que brigaria e odiaria de volta, afinal chumbo trocado não dói né? Errado, dói em dobro…

As brigas e o ódio ganharam companhias, rejeição e menosprezo. Foi ainda mais difícil entender como as pessoas podem ser assim umas com as outras e revidar não adiantava. Minha saída foi me preparar e entender cada passo da dança e conduzi-la, menosprezando e rejeitando antes mesmo que o fizessem comigo. Mais uma vez não adiantou, me fechei pro mundo e distanciei tudo de bom que ele tinha pra me oferecer. Capinei e salguei meu jardim, matei cada flor que ousasse nascer ali. Me tornei amargo e sozinho.

Demorei pra perceber que aquilo não me trazia felicidade e, pior, não escondia minha tristeza. Me encontrei no fundo do poço, machucado na alma e no corpo, cheio de arrependimentos. Eu me tornei aquilo, eu escolhi aquilo e só dependia de mim sair dali. A luta foi árdua, o caminho foi longo e cortar meus espinhos não foi fácil, mas no fim mudei.

Reinventado, sem medos ou rancores, baixei minha guarda e me abri pro mundo como nunca havia feito antes na vida. Se me atacarem? Eu aguento. Se me rejeitarem? Eu me aceito. Fácil né? Pareceu. E não vou mentir, me senti melhor, de um jeito diferente e inédito. Embriagado e anestesiado por todo esse sentimento, fui incapaz de perceber os duros golpes recebidos ao ponto que quando percebi, estava novamente naquele mesmo poço me arrependendo de ter deixado isso tudo acontecer.

Hoje eu não tenho um jardim para cuidar, minha alma é manchada pelos meus erros e meu corpo marcado pelos meus tombos. A dor diminuiu, mas não cessou e o mundo perdeu um pouco de sua cor. Minhas raízes não me prendem mais e tive que aprender a voar. E voarei, seguirei sempre.

Sobre todas as brigas, ódio, rejeição e menosprezo? Voei pra longe disso e aprendi a me manter longe disso. Tudo o que eu quero é paz para poder amar, aceitar e valorizar tudo e todos que a vida trouxer pra mim, inclusive eu mesmo. Quando eu me reencontrar, todas as minhas feridas vão se curar.

Até lá, voarei, seguirei sempre.

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