um livro chamado OCUPA

deixa eu explicar: tem esse livro que escrevi, que vai ser lançado dia 13 de junho* pela Editora 7Letras; ele se chama OCUPA. (com ênfase no CU.)

*[UPDATE: o livro já foi lançado e pode ser encontrado AQUI e AQUI]

— mas, Dimitri, é uma crônica dos dias atuais?

não e sim. não, porque é um livro de poemas, e porque foi escrito entre dezembro e janeiro, reunindo escritos do ano passado e deste a outros anteriores.

e sim, porque foi escrito entre dezembro e janeiro, e trata do corpo político no espaço público; trata de autoconhecimento, auto-questionamento, empatia, identidades e de uma ocupação que começa em si, tanto quanto em se perceber num mundo múltiplo e coletivo.

nos poucos meses entre o livro ser escrito e sua publicação, assisti, atônito e maravilhado, seus textos se transformarem, assumirem novos significados a cada guinada do contexto incrível e volátil em que temos vivido.

talvez o livro tenha começado em 2013 — quando, ao decidir me juntar à multidão que ocupava as ruas do Rio e do Brasil (do mundo), levei o cartaz que dizia: A RUA MANDOU UM BEIJO. uma louvação à potência de todos aqueles corpos ocupando a rua, trazendo vida à cidade.

porque é inegável: a transformação, a revolução vem sendo feita a partir do corpo. sobretudo dos corpos que, taxados de estranhos/bizarros/imorais, afirmam: pois existimos— e temos direito de existir. com esses aprendi: ocupação é um estado permanente.

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aprendi também que é possível ensinar liberdade — e que a melhor maneira de se fazer isso é pelo exemplo. exemplo que me deram pessoas como Chacal e a comunidade anárquica que é o CEP 20.000; como Cristina Flores e a maravilhosa trupe dos Jardins Portáteis; como Laura Formighieri, cujo saber entusiasmado abriu tantos caminhos para o livro; e tantos outros parceiros(as), amigos e amigas cujo convívio me ensina cotidianamente.

sigo aprendendo, atento às lições desses mestres próximos e de outros tão improváveis quanto generosos: estudantes, artistas, gente de todo tipo, idade, raça, gênero, que nos oferece diariamente seu corajoso testemunho de vida.

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é disso que trata o livro — ou melhor: é dessa matéria que OCUPA é feito. é de vocês e com vocês que tanto me ensinam, um diálogo, uma conversa.

agradeço a todxs e ofereço a cada um esse meu breve gesto de liberdade, ou de busca da liberdade possível. é cheio de dúvidas, é de coração. que possa lhes ser útil. vamos de mãos dadas.

[foto de Suzane Queiroz — Largo do Machado, 2013]
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