Um Pouco Sobre Estética Na Práxis

A minha vivência faz com que a estética seja algo sempre presente nos meus julgamentos. Sempre me perguntei se o belo poderia ser algo objetivo, um valor comum a todo mundo. Hoje já consigo compreender que essa discussão é tão complexa quanto qualquer outra pergunta sobre o mundo, a vida, a mente, enfim, percebi que a pergunta estética não é menos importante filosoficamente como eu imaginava.
A visão moderna coloca as percepções como subjetivas. Mas também inclui os estímulos sociais na discussão, assumindo que essa relação do sujeito com o mundo pode ser correlativa. O sujeito estimula o mundo e o mundo o sujeito. Isso torna a reflexão sobre o que seria o belo para um indivíduo uma tarefa extremamente complexa. Imagine quantas variáveis precisam ser consideradas!
Mas se pensarmos no mundo em que vivemos é possível identificar um movimento de certa maneira uniforme no que diz respeito às convenções estéticas para as massas. A publicidade, a televisão e o cinema são as linguagens que ditam atualmente o que deve ser apreendido como belo e consequentemente como não belo. As pessoas vão sendo afetadas pelo design padrão da publicidade, pela perfectibilidade do cinema e pela superficialidade da televisão sem se dar conta que esses estímulos vão se internalizando e logo se transformam no critério subjetivo do indivíduo, sem questionamento, sem resistência.
Ninguém está imune a isso, o repertório estético ajuda a formar nossos critérios. Eles servem para que possamos julgar o que é belo ou não para nós. A questão é: como isso é utilizado quando se fala de atividades práticas? Qual é o papel da estética na ética e na política? Bem, vou pular essa parte, porque há grandes pensadores que tratam dessa questão de forma muito mais aprofundada do que eu poderia fazer aqui (Rousseau, Benjamin, Agamben, entre outros).
Na minha opinião, a estética se coloca hoje como ferramenta quando está fora do campo da arte. Através do uso eficiente da semiótica e da retórica é possível potencializar algo verdadeiro ou transformar em verdadeiro algo falso. A disputa já não é mais estritamente ideológica, mas também estética. Vejam o sucesso de ações como o MBL e as campanhas de João Dória e Barak Obama. Apesar de objetivos e tamanhos diferentes, elas têm em comum o asseio na apresentação do discurso proposto. Uma aproximação com o que é feito na tríade publicidade, cinema e televisão. Isso elimina ruídos de comunicação, torna o conteúdo mais assimilável para as massas e ao mesmo tempo joga tudo o que não é apresentado daquela maneira na categoria de estranho, feio, mal-feito.
As perguntas que ficam são: o que devem fazer as esquerdas no campo estético? Tentar se igualar para tentar levar a discussão novamente para campo das ideias? Ou tentar encontrar sua própria estética? Isso é possível? E se for, como disseminá-la sem os veículos que o outro lado possui?
Uma iniciativa interessante para pensar nisso é a página Navalha estética e política.
O que acham?