A influência dos games na infância e na formação como humano

A infância é o ponto da história que nos define como pessoas. É o local paradoxal onde o tempo e o espaço se cruzam, trazendo consigo um turbilhão de emoções (alegrias, tristezas, traumas e afins) que marcarão toda a nossa vida até o fim. A infância é onde, mesmo que inconscientemente, escolhemos a porta do destino que iremos abrir e seguir, sem direito de retorno. A infância é a influência positiva ou negativa que nos acompanhará por todo o tempo que nos resta nesse nosso mundinho. Não sei você, mas eu tive uma ótima infância.

Entre as lembranças que tenho daquela já longínqua época, algumas das melhores são diretamente relacionadas a games. Hoje, crescidinho como sou, percebo o quanto aquelas influências digitais marcaram o homem que sou hoje.

Quando meu pai me deu um Mega Drive, isso lá para 1996 (e eu um garotinho de 6 para 7 anos), talvez não fizesse ideia do quanto aquilo me marcaria, do quanto aquele brinquedo me definiria. Jogar Sonic The Hedgehog com meu irmão e meus vizinhos foi minha iniciação no trabalho em equipe. Enquanto um segurava o controle, o resto da equipe pensava no melhor caminho para seguir na fase, anotava o password, buscava entender para que e o que faziam aqueles anéis. Sem isso talvez eu não conseguisse passar de fases e poderia ter uma experiência frustrante e traumatizante que me fizesse desistir dos games — como tinha toda uma equipe astuta e dedicada ao meu lado tornou-se quase que instantaneamente um dos meus maiores prazeres.

Alguns anos depois me deparei com um novo herói chamado Tony Hawk. Ele não me conhece (e possivelmente nunca irá conhecer), mas é um ícone para mim. Seu game, Tony Hawk’s Pro Skater, me impactou de tal forma que o skate se tornou meu grande amigo, o Rock (por total influência da trilha sonora do game) uma nova paixão, o modo de se vestir um novo estilo para mim e o esporte, de maneira geral, um novo hobby que por algum tempo tornou-se profissão. Acompanhei por muitos anos todas as competições que ele participava, tive pôsteres, roupas, cadernos…tudo relacionado ao Tony (somos íntimos, nada de sobrenome).

Seu game foi a figura paterna que todo pré-adolescente precisa para guiá-lo sobre o que é ser alguém ou, mais importante, que alguém ele quer ser.

Nessa mesma época meu interesse por inglês foi despertado pela dificuldade em entender as histórias dos games que jogava. Amava Final Fantasy por seus CG’s e seus personagens carismáticos (sim Vivi, Zidane e Sephirot, estou falando de vocês), além dos gráficos incríveis à época e seus minigames (Sim Gold Saucer e cartas, agora é de vocês que estou falando), mas não os amava por sua maior qualidade: seu enredo.

Dito isso, querer saber o que se passava me fez jogar acompanhado de um dicionário português — inglês, onde eu lia pacientemente (as crianças da minha época que não tinham muito dinheiro tinham, em compensação, bastante tempo livre) frase por frase em inglês e as correlacionava com seu significado em português. Em pouco tempo palavras mais comuns já eram habituais para mim e depois de certo tempo, sem eu notar, já sabia grande parte de tudo que era “dito” nos games.

Posso garantir que aprendi inglês jogando.

Esses foram pequenos exemplos da importância dos games na minha formação como homem e cidadão. Sempre haverão polêmicas sobre a violência dos games e sua influência (e de fato deve haver), mas um fato é: Jogos podem influenciar positivamente — e para sempre — a sua vida.

E você, algum game que tenha marcado tanto?

Para essa e mais matérias originais, acesse: www.gamerista.com.br

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