Review: O Filho do Batman (Son of Batman, 2014)

★★/
De Ethan Spaulding. Com Jason O’Mara, Stuart Allan e David McCallum.
Por Diogo J. Araújo

A verdade é que há um bom tempo, eu não assistia a uma animação da DC. A sensação de nostalgia foi inevitável, e junto com ela nuances de desgosto.

No final da década de 80 a DC Comics lançou ’Batman — O Filho do Demônio, escrito por Mike W. Barr e Jerry Bingham, que mostra o Homem-Morcego se unindo com Ra’s Al Ghul no meio de uma caçada à um inimigo em comum. Bruce Wayne tem um caso com a filha de Ra’s, Talia, e no final a grande revelação: Talia deixa um bebê, filho de Bruce Wayne, para adoção, Damian Wayne. Depois disso, a DC descartou Damian Wayne de sua cronologia, mas em 2006 o personagem retornou pelas mãos de Grant Morrison em Batman #655, no arco ’Batman e Filho’, se tornando o novo Robin. É justamente esse arco de Morrison que dá origem ao longa-metragem O Filho do Batman, (Son of Batman) de Ethan Spaulding.

O cenário de abertura de O Filho do Batman é o dojô da liga de assassinos liderada por Ra’s Al Ghul. Somos apresentados à Damian Wayne, treinado pelo avô desde a infância, para liderar a liga de Assassinos. Na sequência, o dojô é atacado por uma facção de mercenários comandados por Slade Wilson, o Exterminador. O combate demostra as exímias habilidades de Ra’s, Talia e Damian, que não nega o sangue assassino em suas veias, demostrando destreza e impiedade. Ao final do embate Ra’s morre, e Talia foge para Gotham, deixando Damian aos cuidados do Homem-morcego, para partir no encalço do vilão. Quando Talia é capturada, e depois de ter presenciado a morte do avô, Damian parte em busca de vingança, posteriormente aderindo ao uniforme do Robin.

Os pontos altos do filme são as cenas de ação, bem elaboradas e violentas, e os diálogos bem elaborados. Na parte gráfica, a qualidade das animações da DC, aqui realizada por um time de animadores japoneses, é mantida.

Vale ressaltar que o enredo do filme está longe de ser fiel ao arco original das HQs, apresentando várias diferenças, e isso pode pesar como ponto negativo na avaliação de leitores mais assíduos dos quadrinhos. Apesar de um pouco amenizada no longa (o que é até compreensível, já que o personagem tende a ganhar empatia com o público, por ser o personagem de maior destaque na trama. O Batman assume aqui o posto de coadjuvante) a personalidade de Damian é extremamente arrogante, prepotente e irritante. À partir do terceiro ato, quando se espera uma redenção e compreensão (a famosa lição aprendida) por parte do personagem, ela vem, mas de forma inesperada, brusca. Outro ponto não favorável, é que por vezes, durante os embates, a ação, apesar de extremamente bem feita, parece forçada. Um exemplo, é a cena em que Damian têm os braços atravessados pelas lâminas do Exterminador, e mesmo assim,na sequência, prossegue com todo vigor na luta (pasmém!), digna de um espadachim.

Mas um fato, verdadeiramente decepcionante, foi a omissão do embate entre o Damian e o Asa Noturna. Ao invés de mostrar todo o desenrolar da luta, o diretor simplesmente prefere ignorá-lo aqui, que com um rápido corte de cena, apresenta o desfecho e suas consequências. Nos créditos finais, o diretor mostra apenas trechos estáticos da luta, o que só deixa o espectador mais frustrado.

Concluindo, apesar do mérito de possuir uma qualidade de animação primorosa, e boas cenas de ação, O Filho do Batman decepciona nos detalhes. A sensação de nostalgia das antigas animações da DC se mescla em nuances de desgosto. De todo modo é uma animação que vale a pena ser conferida, especialmente por apresentar um novo Robin, que facilmente poderia ser explorado, e acertado em futuros filmes.