A Sucata do Planeta

Ouvia rádio no carro, um desses programas que se ouve em carros, quando entrou Carlos Alberto Sardenberg, acompanhado de uma de suas acólitas, não me lembro o nome, e um certo Thássius Veloso (?). O motivo de tão singela reunião era falar da alegria esfuziante pela qual estavam tomados, os três, porque a Domino’s Pizza Delivery em parceria com a Ford, lá nos Estados Unidos, estavam lançando um carro que entregava pizzas sozinho, sem precisar de motorista, entregador ou bicicleta.

“Oh! que maravilha! O que é? Como é? E mais isso, e mais aquilo”, e o tal de Thássius (?) explicava tudo de modo esfuziante. O carro, vejam vocês que lindo, tem até um compartimento especial que mantém a pizza quente durante todo o trajeto, que se bem me lembro, chama-se forno; não é demais? E você pode ainda: por meio de um aplicativo, acompanhar todo o trajeto do carro-entregador, pelo seu celular. Putz!

Daí, como é de se esperar dessas pessoas que têm o senso crítico no calcanhar, começaram a tecer loas ao Mercado, essa divindade pós moderna em nome da qual tudo se justifica, tudo é por ela. “No princípio era o Marketing; e o Marketing estava no Mercado; e o Marketing era o Mercado. No princípio ele estava no Mercado; por ele tudo foi feito; e sem ele nada se fez”.

Então, fiquei pensando, “pra que eu quero isso? O que se acrescenta na pizza? Por que alguém pensa em fazer uma traquitana dessas? A primeira coisa que me veio à telha foi uma das minhas paranóias clássicas sobre a sutileza dos planos de Satanás: “Algo está planejando um mundo sem pessoas”.

Não que esteja vaticinando a prosaica revolução das máquinas, que ficam inteligentes e, por isso mesmo, decidem destruir a humanidade. Não, essa eu não temo porque máquina nenhuma tem esse tipo de interesse, senão não seriam máquinas. Penso é que o marketing enlouqueceu de vez, e está planejando criar um metamercado, onde seja possível vender coisas como, por exemplo, uma cama que dorme sozinha, sem necessidade de que haja alguém nela; ou chuveiros que tomem banho por si só, pratos que comem a comida sem a necessidade de nenhuma intervenção humana, livros que se leiam a si mesmos.

Aviões que viajam sozinhos para a Europa, para Buenos Aires e até para Orlando, onde já existe muitos brinquedos que brincam por eles mesmos. Aliás…

Entretanto, havia uma contradição nesse plano pois, se ninguém mais fazia nada, onde é que se ia arrumar dinheiro para comprar essas maravilhas? Nada de contraditório: o programa prevê que, cada vez que alguém intervenha em uma das redes sociais, Facebook, Twitter, LinkedIn, Waze, todas essas bossas como diria Stanislaw Ponte Preta, até mesmo o Odnoklassniki, recebe milhas proporcionais quantitativamente à intervenção realizada. Com essas milhas, poderá comprar tudo o que bem entender, de resto, maravilhas necessárias para fazer as coisas porque, para ficar bem ricos, teremos que permanecer nas redes sociais o tempo todo e não poderemos fazer mais nada.

Tempo nos videogames também oferecerá milhas pois as máquinas precisam brincar, ficar enviando inputs para o palhaço do outro lado responder com os trejeitos mais estranhos, à medida que ganha pontos com isso. Quem é o brinquedo, afinal?

Proponho um acordo. Vamos separar um pedaço do Planeta, digamos a África por exemplo que ninguém se interessa muito por ela pois, “Há dois mil anos te mandei meu grito, que embalde desde então corre o infinito… Onde estás, Senhor Deus?…”. Nem Deus! Juntamos todas as pessoas que ainda estão interessadas em Ser, Conhecer, Conviver e Fazer e mudamos todos para lá e nos deixam quietos fazendo nossas coisas. Dependendo do número de adesões, talvez nem precise da África inteira.

E não venham dizer que não pode porque há antecedentes. Já fizeram isso com Israel, porque os judeus queriam ir viver lá, do seu próprio jeito.

Primeirão, aqui.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.