Cordel em prosa: D. Helder versus Padre Cícero
E Lampião assistindo…
Por incrível que pareça, e nesses casos é incrível mesmo, há um processo aberto de canonização de D. Helder Câmara, aprovado pela Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano, o que lhe deu, imediatamente, o título de Servo de Deus. Seu processo de beatificação já está em andamento.

Se fosse, por exemplo, Padre Cícero, a mídia estaria fazendo um grande barulho. Porém, D. Helder? Parece que ninguém avisou aos veículos de comunicação do Brasil que a proibição de mencionar seu nome, imposta pela ditadura, não está mais valendo e que já podem falar dele.
Mas o nosso arcebispo não é Padre Cícero, embora os dois sejam cearenses, D. Helder de Fortaleza e Padre Cícero do Crato: Ele é D. Helder Câmara, da luta incessante pela justiça social e pela paz.
Agora, quanto ao Padre Cícero Romão Batista, em que pese todos os amores por ele, reconhecidamente, um expressivo fenômeno popular, jamais será santo. Um dia, ele disse:
“O comunismo foi fundado pelo Demônio. Lúcifer é o seu nome e a disseminação de sua doutrina é a guerra do diabo contra Deus. Conheço o comunismo e sei que é diabólico. É a continuação da guerra dos anjos maus contra o Criador e seus filhos.”
A questão não é ideológica. Por mais conservadora que seja a Congregação para a Causa dos Santos, ela sabe que, alguém que diz uma imbecilidade dessas, pode ser tudo, menos Santo, ou sequer, “Servo de Deus”. Deus não está aí para ensinar “Padre Nosso” a Vigário.

Conta-se que, once upon a time em 1926, Padre Cícero estava caitiuando Lampião para integrar o Batalhão Patriótico de Juazeiro com o posto de capitão e, em troca, receberia anistia ampla, geral e irrestrita. Naquela época, os Batalhões Patrióticos haviam sido criados pelo governo com a finalidade de combater a Coluna Prestes.
Diante disso, Lampião exigiu receber imediatamente a patente que ele tanto desejava: Capitão Virgulino Ferreira da Silva. Foi então chamado Pedro de Albuquerque Uchoa, a autoridade local competente para isso, que lavrou um documento tornando Lampião capitão do Batalhão Patriótico de Juazeiro e anistiando-o de todas as acusações que pesavam contra ele. Reuniu então seus 50 cangaceiros que deixaram a cidade. Nunca se encontraram com a Coluna Prestes, nem em sonhos…