Aprendi que qualquer forma de manifestação é válida, não só a de quem sofre” — Entrevista com Álvaro Mamute

Co-fundador do canal Niggas Nerds, Álvaro mamute recentemente chamou a atenção na cena após um som com De Leve, ex-membro do Quinto Andar e famoso rapper fluminense. O criador do selo N-Records falou sobre os sonhos dele, suas inspirações, seus objetivos com o selo e sobre a cena do rap. Confiram a entrevista logo abaixo.

LC: Você mesmo já disse que a ideia do canal surgiu durante um papo no Bob’s. Qual era o pensamento de vocês quando tomaram essa decisão?

MMT: Eu, Thacio, Victor e Coruja somos amigos desde… Sempre. Nós sempre tivemos a intenção de abrir um negócio juntos, termos uma empresa. Naquele dia, pensamos em vários modelos de canais de Youtube que podíamos abrir, e que seriam altamente rentáveis. Acabamos não adotando nenhum deles — ainda bem, porque hoje vejo que seriam um fracasso — , mas posso dizer que a ideia de abrir o canal no Youtube nasceu ali.

LC: Num print que o Lucas Predella do Costa Gold postou, você afirmou que “não fazia parte da cena do rap”. Você realmente não acha estar inserido nessa cena? Tem vontade de estar?

MMT: Eu tenho certeza que não estou HAHAHAHAHA. Nunca tive a intenção de ser conhecido como rapper. Eu faço rap por hobby, é algo que me acalma, e por algum motivo, tem gente que gosta. Não foi algo que eu cavei pra mim, nem que quero levar como estilo e assinatura pra minha vida. Eu não sou rapper, não quero fazer parte da cena, Só faço rap porque me diverte. Tanto que quando enjoo, fico sem fazer. Não sou da cena, afinal ninguém da cena faz ideia de quem eu sou. Nem quero ser, porque pretendo continuar sendo desconhecido pra essa galera que leva tudo muito a sério...

LC: Quem te inspira? Como rapper, como produtor de conteúdo?

MMT: Como rapper, posso tirar aqui uma galeeeera. Gringa e BR. Kanye West, Jay-Z, Guru, Andre 3000 e Big Boi, De Leve, Marechal, D2, Pensador, Criolo, Emicida, MAG… Mas como produtor de conteúdo no geral, posso dizer que minha maior inspiração se chama Donald Glover, também conhecido como Childish Gambino. Um dos maiores all-arounders do entretenimento. O cara é ator, roteirista, rapper, produtor, diretor e Deus nas horas vagas. Minha maior inspiração nos últimos 3 anos com certeza é esse cara.

LC: Você já citou o Marechal mais de uma vez nos seus raps, gravou um som com o De Leve. O Quinto Andar foi um grupo que te marcou muito?

MMT: Quinto Andar foi por onde entrei no rap. Eu nem sabia o que era rap, na verdade. Ouvi o Melô do Piratão (a música antes do disco), e me apaixonei por aquele jeito foda de fazer música. Fui correr atrás, saber quem eram os caras, mas durante muito tempo, eles foram tudo que eu ouvi de rap. Eles e o D2. Nunca me interessei pela cena nacional… Pra você ter uma ideia, fui descobrir que Cavalo Banguela e Marechal eram a mesma pessoa depois de discutir com o Marechal no twitter, em 2011 (risos).

LC: Falando no som com o De Leve, como surgiu essa oportunidade?

MMT: Um cara trouxe essa oportunidade pra mim e o nome dele é Júnior SQL. Eu posso fazer o que for na minha vida pra esse cara, que não vai ser suficiente pra pagar isso que ele fez por mim. Me levou na casa do De Leve, me apresentou, e botou pilha pra gravarmos juntos… Foi inacreditável. Te amo, SQL!

LC: O público do YouTube é um público jovem, e muitos dos assinantes do seu canal também são jovens. Já parou pra pensar que você pode ser a porta de entrada desse pessoal pra começar a ouvir Rap? O que você acha disso?

MMT: Eu fico feliz pra caralho. O rap, principalmente o gringo, mudou a minha vida de uma forma muito forte. Eu entendi, graças ao Kanye West e ao Gambino, que eu podia falar do que eu quisesse nas minhas letras, desde que fosse algo sincero e bem feito. Aprendi que qualquer forma de manifestação é válida, não só a de quem sofre, mas também a de quem é feliz. Eu curto pra caralho ver os moleques falando que começaram a ouvir alguma coisa por minha causa. Principalmente quando é Marechal e Quinto Andar.

LC: Quais as suas metas agora, pós criação da N-Records? O que você quer que a N-Records seja?

MMT: A NRecords em si é a minha meta. O que eu quero é fazer Warlock, Gabe, Gus (que agora é Arma Xiss), Bizum e P.S. serem reconhecidos pelo talento que tem. Não quero que eles estourem na NRec, porque acho que isso vai ser muito difícil, mas espero que eles tenham proporção suficiente pra um dia fechar com a galera do rap que tem o mesmo estilo deles. Consigo muito ver o Gus no Laboratório Fantasma, e se os caras do Costa Gold não tivessem ficado putos com a piada, o Gabe no DMC. Espero conseguir fazer esses moleques terem visibilidade e tirarem uma carreira em cima disso. São, todos eles, muito mais talentosos do que muita gente. Inclusive eu.

LC: Quais os seus objetivos com o Projeto Jaz? Pretende fazer mais séries do tipo, quem sabe um longa?

MMT: O Projeto Jaz é meu laboratório de estudos. Meu objetivo é ver como a galera vai reagir à história, aos mistérios, à ação e transformar isso num roteiro de série maior pra tentar produção de gente grande. Quem sabe, num sonho distante, vender os direitos para o Netflix, por exemplo. O Projeto são só os 13 primeiros episódios de uma trama muuuito maior. Quanto a fazer mais séries, eu pretendo e muito. Os maiores problemas hoje são orçamento e tempo, mas acho que isso vai se ajeitando. Temos alguns curtas programados pra 2016, sendo um o Charlie Oscar Echo, que só vai ser possível graças à doações dos inscritos no Catarse, e alguns roteiros inspirados em filmes famosos como Inception. Um longa é um sonho, ainda distante, mas que espero conseguir realizar nos próximos anos. Quem sabe o N2 não dá uma bombada ano que vem com os curtas e a gente consegue financiamento prum longa? Vai saber…