A Curva no Manejo Sagrado

Mover-se é participar do erotismo em zelo.

O mais autônomo ser vegetal curvou a cabeça na nascença para sublinhar a terra. Os animais de fibra tem os dentes de caça entortados. As presas ingênuas eriçam as orelhas em frondosa urgência. O homem pombo tira da pluma cinza a rola vesga — nunca foi a piroca senão anzol da lua.

A energia é a tensão do disparate sobre o regular trecho. Dar a volta é o luxo ante a linearidade. Percorrer a parábola causa o mesmo ódio espumante que faz as ondas darem brumas ao firmamento.

O sopro divino que carrega a indumentária de Vênus amadurece-a ao sexo; a mulher torna-se na primeira dobra o invólucro energético do crime.

Ao mestre Exú as esquinas são a festa. Chacoalhar-se é comando demoníaco que leva ao ruído das partes estilhaçadas pela escolha da encruzilhada. Festejar é escolher o caminho mais longo à morte, parados estaríamos sucintos na missão de percorrer a vida e de termina-la, mas no movimento sinuoso condenamos por nós o caminho mais longo de nós.

O oráculo do ser movente é o aroma na imagem lunar: o homem toca a bunda pelo gesto, pois assim é ensinado na vitrine da anciã detentora das curvas. A lua condena-nos terrivelmente ao meandro.

O erótico exila qualquer noção de economia existencial. Movemos em curvas destrambelhadas a carne estática, festejamos a suntuosa culpa pela escolha tortuosa, carregamos toda energia ambígua no toque.

O homem separa-se do animal ao dobrar a língua e estimular a palavra. A vida é um templo de portões ondulados, onde finge passar a megera verdade dos corpos.

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