E por qual motivo o design tem que ser engraçadinho?

Nessa última semana ouvi o novo podcast do pessoal do AntiCast, o visual+mente, que falava sobre como algumas pessoas enxergam o design como uma profissão de “bosta”. Para resumo de conversa o grupo buscou analisar por quais motivos essa cultura de que designer é sempre o cara que recebe mal e é uma área desvalorizada.


Realmente essa história já se tornou uma cultura, algo que já é quase plantado no coração do aluno que vai se inscrever no curso. Eu particularmente quase desisti de cursar design após receber uma lista numerada de críticas de pessoas que nem da área eram. Quando entrei na faculdade foi o mais complicado, pois meus professores propagavam que era um setor ruim de se ganhar grana e que ninguém ficava rico.

Eu sempre quis acreditar que isso era apenas uma piada, algo que foi tão sem sentido que as pessoas brincavam com isso de sacanagem. E no final das contas eu vi que era realmente uma piada, mas uma piada de mal gosto que tem/tinha como gerador agências e a imaturidade de recém formados.

Para começo de conversa eu só entendi isso quando cai no mercado de agências, passei por algumas agências como estagiário e em outras como freelancer. Em todas elas algo era muito comum o tal do : Guaraná Pão Doce. Guarde bem esse nome, pois é exatamente esse mix de coisas açucaradas que compõem as agências que aderiram a um posicionamento divertido e um diferencial importante, ser feliz.

Essas agências normalmente tentam vender uma imagem de algo muito despojado e feliz. As que adotam esse posicionamento e fazem um bom trabalho normalmente são procuradas por segmentos que trabalham com a descontração. Eu cursei em uma turma que tinha uns 40 e poucos guaraneiros (designers que gostam do posicionamento guaraná pão doce) e a turma fechou com menos de 18 alunos. O legal é que boa parte dessa galera assumia ter escolhido design por parecer um bom caminho de se formar rápido, sem muita teoria e leitura.

Há quem se engana que vai cair no mercado sem uma preparação boa de gestão, planejamento e teoria de área. As faculdades que oferecem uma grade voltada para o mercado são muitas, mas as que seguem isso dentro de sala são raras. Eu notei isso no meio do meu curso quando peguei meu primeiro freelancer e as tradicionais dúvidas de como orçar e lidar com cliente surgiram.

Lembro bem que em meu primeiro freela o que mais surpreendeu o cliente foi que eu apresentei um cronograma de atividades, detalhando cada etapa em contrato e também passando as funcionalidades do PMBOOK. O legal era ver que esses meus clientes se surpreendiam e tinham mais segurança em me contratar. E um ponto interessante também é que eu tenho 22 anos e aparento ter 15 anos. A única forma de quebrar essa primeira impressão foi me comportando como profissional e removendo aquela camada de guaraneiro.

Então de fato eu não acredito que micreiros sejam o câncer do design, pois não é com esse cara que eu estou “brigando” no mercado. O câncer do design são as empresas que pulam processo que vai desde uma pesquisa até um wireframe. Eu entendo que as vezes a correria é tamanha que o cliente não quer esperar, mas é exatamente o ceder ao cliente que muitas das vezes nos tornam designers apertadores de parafusos.

Se houvesse mais seriedade e ênfase nos critérios de processo o design seria valorizado, pois boa parte de nós designers geramos essa desvalorização sem necessidade. O que eu posso dizer é que dá pra ganhar dinheiro com design e designer deve ser ambicioso sempre!

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