Minhas notas do Yuval Harari em Outubro de 2019 no Memorial da América Latina

Adriana Barbosa
Nov 7 · 4 min read

Na sexta-feira passada a Marina Proença me perguntou: você quer ir comigo assistir o Yuval Harari na quarta? Eu: quero. Mas quem é Yuval Harari na fila do pão? Você já leu ou alguém já te indicou alguns desses livros: Homo Sapiens, Homo Deus ou 21 lições para o século 21? Pois Harari é o filósofo, historiador, israelense, vegano, homossexual quem escreveu todos esses. Meu mais novo muso.

Yuval Harari sendo entrevistado por André Petry no Memorial da América Latina em Novembro de 2019

Eu não li nenhum dos livros mas pessoas queridas já me olharam e falaram: você tem que ler o Harari. Então quando a Marina me chamou, eu só fui. Eu saí de lá com uma paz no coração. Isso é tão bom em épocas em que tudo deixa a gente confuso/ansioso/amedrontado. Mas o que é que martelou a minha cabeça e me chamou a atenção? Segue — mas saiba que isso são “notas minhas” e não uma análise crítica, ok?

  1. Sobre saber tudo de tudo: quando alguém te pergunta algo que você não sabe, diga que você não sabe ao invés de tentar falsificar uma narrativa falsa.
  2. O que deveria ser o nacionalismo: pessoas que se importam com seus compatriotas, pagam impostos. Ser nacionalista não deveria ser odiar o estrangeiro, mas se importar com os compatriotas. Atualmente, os nacionalistas têm mais raiva de outros compatriotas (processo de divisão atual entre direita-esquerda por exemplo) do que de estrangeiros.
  3. Sobre o imediatismo de hoje e o turbilhão de conteúdo: como ele diz, ele tem o luxo de não ter smartphone. A visão dele é a partir de uma visão macro da história que é gigante. Ele não sabe exatamente o que está acontecendo nesse exato momento no Chile. Ele tem um olhar do macro.
  4. Os tempos são atuais são os mais sombrios? Os tempos atuais podem parecer sombrios mas quando se olha com uma perspectiva histórica, os “nacionalistas” de hoje não estão dispostos a matar. O Brexit por exemplo teve um caso de pessoa assassinada pré votação. Durante as guerras mundiais foram milhões de pessoas mortas.
  5. Sobre AI: “eu não quero que a AI seja usada pelo governo/grandes corporações para me espiar. Eu quero que a AI seja usada para espiar o governo por exemplo”.
  6. Qual o mal da fake news? A verdade é a base da sociedade humana. Se você não pode confiar, a cooperação se torna inviável. No entanto, são as redes sociais que tornaram possível que nos tempos de hoje se houver massacres por um governo, por exemplo, seja impossível que a sociedade não fique sabendo. Diferente do passado!
  7. O que os jovens deveriam aprender? Não faz mais sentido as crianças continuarem a aprender qual a capital da Austrália. Isso elas podem googlar. Jovens precisam aprender ferramentas mentais para aprender o que é confiável e o que não confiável.
  8. O que as pessoas deveriam aprender para o futuro? Ao invés de focar em aprender muito algo técnico, as pessoas deveriam aprender a aprender. A velocidade das mudanças + o aumento da expectativa de vida vai fazer com que as pessoas tenham que se reinventar 4 vezes durante a vida.
  9. Sobre a precarização do trabalho: vivemos até agora num estilo de sindicalização em que os funcionários se unem em classes para exigir direitos. Imagine no futuro quando por exemplo não tivermos motoristas de ônibus. As grandes corporações responsáveis por mobilidade terão um poder imenso para exigir da população/governo. Mudança de eixo de vários trabalhadores unidos para grandes corporações.
  10. O que ele lê? Ele normalmente lê 10 páginas e decide se vai continuar a ler. Tem muita coisa interessante para ler para gastar tempo em coisas que não são interessantes. Ele mais escuta audiobook do que lê mesmo!
  11. Ele gosta muito de TV: ritual de ver séries com o marido no fim do dia. Exemplos de série:

Foi mais de uma hora e meia escutando e aquecendo o coração. Ps: na faixa!!! Por que o Harari aqueceu o meu coração?

  1. Porque eu me identifico com a ansiedade atual do excesso de informações e me preocupo demais com o momento atual político. Me deixou mais tranquila ouvir que o “caos” não chega nem perto do que foi no passado.
  2. Me deixou mais tranquila ver que ele é um super especialista/referência e que não consome conteúdo insanamente como todos dizem que temos que consumir. ELE NÃO TEM SMARTPHONE.
  3. Sempre disse que temos que aprender a aprender porque vamos viver demais, as coisas estão mudando bem rápido então será mandatório a gente se reinventar. Ele verbalizou isso. Pronto. Deu liga.

Próximo passo: começar a ler os livros dele. Se você já leu e acha que eu devo começar por um específico, me avise please ;)

Adriana Barbosa

Written by

Fundadora e CEO da Vaipe, fundadora e ex-CEO da payleven, administradora de empresas pela FGV-EAESP, mestranda pela FEA-USP. Apaixonada por Dados e Gente.

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