Kylo Ren é a personificação dessa geração sem propósito
Assim como eu, muitos já devem ter ido assistir a Star Wars: O Despertar da Força nos cinemas, o sétimo filme da franquia, e se você for uma dessas pessoas leia esse texto.
Ao decorrer do filme nos é apresentado Kylo Ren, que o cupa o papel principal de vilão nesse longa. No começo, o conhecemos como um ser de máscara, poderoso, temível, a essa altura já criamos a ideia de Ren é mais um sith amedrontador como os dos filmes anteriores, porem, mais a frente conhecemos sua verdade face: um jovem rebelde, impaciente, confuso e raso.
Ren foi enviado por seus pais (Han solo e Leia) — por temerem que este seguisse os caminhos do avô — a Luke para que esse o treinasse nas artes jedi e o mantivesse longe do lado negro da força. Luke o treinou, mas Ren foi seduzido pelo lado negro, motivado a ser tão forte quanto seu avô, Darth Vader, o poder e a ambição forma as razões para abandonar Luke e abraçar o lado negro, ou pelo menos é isso que alguns interpretaram.
As razões de Ren estão mais além disso, vai muito mais além da simples busca por poder, ela está centrada na falta de objetivo dele para com sua vida, a sua falta de propósito. Ren é um garoto mimado, talvez pela criação dos seus pais, isso o fez crescer tendo tudo dado na sua mão, tendo somente que fazer birra para conseguir algo, todos sabemos que esse tipo só leva a um destino quando a criança não recebe o que quer: Frustração. Percebemos isso no filme quando Ren não consegue o que quer, ele simplesmente surta e destrói o que está ao seu redor para libera-la.
Seu niilismo e frustração por não conseguir ser forte foi o que o motivou para ir ao lado negro da força buscar mais poder, mesmo que para isso tenha que ser somente um fantoche nas mãos de Snoke, e ele sendo consciente disso.
Repararam como todas essas características descrevem uma grande parte dos jovens de hoje em dia? Rebeldes sem caminhos que buscam preencher suas vidas vazias e sem senti com emoção, a mesma emoção dos tempos de guerra antigos. Ren nasceu em tempos de paz, logo após a queda do Império. Nós também nascemos em tempos calmos, apenas deslumbrando as grandes lutas que já travamos desde os tempos antigos com troianos, gregos, romanos, otomanos e muitas outras batalhas que hoje são contadas em filmes e livros, estes que são os estimulantes desse sentimento de vazio existencial. Adolescentes na Europa se alistando ao ISIS para poderem participar de uma guerra, jovens nos EUA realizando massacres com armas, mas por quê? Porque suas vidas são monótonas, vazias, eles vivem em países super desenvolvidos, tendo tudo o que querem bem na sua frente, basta irem lá e comprar, passam o dia em casa — no computador — dia após dia nessa rotina, aparentemente, sem fim, é isso que os faz um dia se revoltarem e quererem participarem de algo grande, algo que dê valor as suas vidinhas tediosas, uma guerra, um conflito ou um massacre, é essa rebeldia pela rotina de trabalho~casa que o século XXI oferece, uma casa, uma esposa, carro, filhos e descanso nos fins de semana, é isso que a vida reserva para mim? É com olhar de desprezo e revolta que olham para isso e rejeitam essa vida.
Ele tinha um mártir de adoração, a máscara queimada de Darth Vader, ela era para ele o que os filmes e jogos de guerra e glória são para os jovens de hoje, é dela que ele pegava sua inspiração e acreditava estar seguindo um caminho.
O ápice de sua revolta acontece quando ele mata seu pai — Han Solo — para se desligar de laços de sangue, acreditando que isso o tornaria mais forte, mais uma vez a sua mente confusa e sedenta por um propósito o fez agir sem pensar, apenas querendo saciar seu vazio existencial.
Kylo Ren é como eu e você, é como milhões de jovens por aí fora, apenas buscando um sentido para sua vida barata e vazia.