Mulher: O limite é você quem estabelece!

Os registros históricos mostram que as mulheres sempre buscaram, de forma organizada, movidas em atos de união e hasteando bandeiras, direitos de igualdade com os homens e de oportunidades.

Os estudiosos dividem os movimentos femininos, em três grandes fases, a primeira ocorrida entre o século XIX e início do século XX, a segunda nas décadas de 1960 e 1970 e a terceira na década de 1990 até a atualidade.

No século XIX, o movimento destacou-se na Europa e tinha por base a obtenção de igualdade jurídica da mulher, o que incluía o direito ao voto, de instrução, de exercer uma profissão ou poder trabalhar.

Na segunda metade da década de 1960, surgiu nos Estados Unidos o movimento feminino contemporâneo que se alastrou para diversos países industrializados entre 1968 e 1977. Na ocasião, o ponto em discussão era a “libertação” da mulher com fulcro na denúncia da existência de uma opressão existente em diversas culturas, classes sociais, sistemas políticos e econômicos. A atuação ocorria com base na superação das relações conflituosas entre homens e mulheres e com o fim de evitar que a declaração de inferioridade se estabelecesse.

Os movimentos femininos trouxeram muitas vitórias, tanto nos países industrializados como nos países em desenvolvimento. A busca pela liberdade sexual e pelos direitos reprodutivos ganhou força a partir da década de 1960 com o surgimento do anticoncepcional oral reduzindo a taxa de natalidade. O divórcio e o aborto foram dois temas que marcaram o movimento durante a década de 1970.

Entre o final da década de 1970 e início de 1980, porém, o movimento feminino entrou em declínio, em razão das crises econômicas, o surgimento do narcotráfico, da violência e do terrorismo. A partir da década de 1990, o movimento retomou com base em novas demandas sociais, tendo no ano 2006 ocorrida a conquista da proteção e coibição à violência doméstica com a promulgação da Lei 11.340 (“Lei Maria da Penha”) e em 2008 a promulgação da Lei 11.770 que ampliou o período de licença maternidade para 180 dias.

Penso que, no momento no Brasil, descortina-se um novo movimento. Um movimento silencioso, difuso, e não organizado, mas que nem por isso é menos importante do que aqueles que trouxeram uma série de conquistas para as mulheres. Trata-se de uma nova fase, fundada, é verdade, nas conquistas do passado. Pela primeira vez, no entanto, não há bandeiras a serem hasteadas e direitos a serem conquistados. O momento é o da escolha individual, da mulher decidir de forma íntima o que se quer fazer com os direitos já conquistados. De forma consistente e progressiva, e tendo como base a busca por equilíbrio e o respeito a si próprias, as mulheres têm adotado a premissa de vida de que “menos pode ser mais”.

Torna-se cada vez mais comum ouvir relatos, sejam públicos ou em particular, de mulheres que passam ou passaram por momento de profundo questionamento sobre o rumo de suas vidas. Ponha-se atenta e perceberá que é cada vez mais a regra do que exceção observar mulheres tomando decisões pragmáticas visando à modificação daquilo que não serve mais para si. Em geral as saídas passam pela tomada de riscos, tanto a partir do empreendedorismo, quanto baseada na mudança de carreira.

Exemplo recente é o da ex-diretora geral do Boticário, Andrea Mota que, no início do ano, pediu demissão após ter sido diagnosticada com a síndrome de burnout, decorrente do acúmulo de compromissos profissionais e domésticos. Trata-se de uma doença nova, descrita, em geral, como um transtorno de ansiedade que afeta quem se sente inundado de estímulos, o que causa exaustão e esgotamento. Em entrevista dada por Andrea Mota ao blog mulheresincríveis.org, ela relata como em ato de coragem traçou novos caminhos para sua vida. Assim como ela, existem muitas mulheres que estão se reinventando em razão do cansaço e da loucura que é, muitas vezes, conciliar os compromissos profissionais e, principalmente, os da maternidade.

Os reflexos e consequências dessa nova postura da mulher perante a sociedade, dessa revisão de seu papel social, já são percebidos em vários níveis, seja na vida cultural e econômica, seja nas relações familiares. Não será diferente em relação às formas e perfis de consumo. Tanto é assim que destaco a iniciativa da Think Eva, empresa de consultoria formada por três mulheres que têm como objetivo ensinar a publicidade a respeitar a mulher e, ao mesmo tempo, lucrar com isso.

Você, que ainda não percebeu o novo movimento, olhe em volta e lembre-se: “O Limite é Você Quem Estabelece”.

Dulce Artese

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