Sobre amores verdadeiros
Certa vez encontrei uma garota numa praça.
Eu tinha cerca de 15 anos, estava no interior de São Paulo, era magrelo e um perfeito adolescente inexperiente.
Havia uma banda tocando (sempre há bandas em histórias adolescentes), tocavam rock, e certamente eram músicas deles, não eram ruins, muito menos bons. A garota estava lá, quase hipnotizada, olhando a banda, sorrindo e cara, na época era a garota mais linda que eu já tinha visto (muito provavelmente por eu não ter visto muitas meninas bonitas até aquela época).
Como bom adolescente, me apaixonei ali mesmo, imaginei centenas formas de como iríamos nos esbarrar, conversar, se beijar e namorar (claro).
Eu olhei para a menina durante umas duas horas, encantado afinal, era meu novo amor!
Após mais um tempo, ela e alguns amigos viraram-se de costas para a banda, e foram embora. Sim, simples assim, ela foi embora, deixando o jovem garoto ainda apaixonado, cheio de esperanças. Foi embora como se tudo aquilo fosse simples, como se não envolvesse o sentimento de duas pessoas, como se um casal pudesse se separar assim!
Eu não sei mais quantas vezes fiz o mesmo, e mantive um relacionamento com base no sentimento que criei para um casal que nem existiu. Fiz isso com garotas no metrô, colegas de trabalho e principalmente com namoradas.
Quantas vezes me questionei porque um amor acabou assim do nada, sendo que deveria ter me questionado quando foi que o nada passou a ser considerado amor.