A pergunta certa

Escrevo esse texto porque não estou conseguindo enxergar, em todas as discussões que vejo e participo, os motivos certos para a escolha desse segundo turno e senti a necessidade de manifestar minha opinião.

Antes de começar, não vou dizer a besteira de que esse texto é imparcial… mas garanto que isso é o que menos importa aqui.

Em geral, para tomar uma posição e responder a uma pergunta, antes, pergunto quais são os critérios, o que a pessoa quer alcançar, assim indico minha posição. Não sou radical com absolutamente nada e minha escolha pode mudar de acordo com sua pergunta.

Mas, no caso das eleições, a pergunta é irritantemente direta. Seria mais fácil se a urna perguntasse “considerando obras sociais em quem você vota para presidente?”.

Isso não acontece… eu preciso criar meus próprios critérios de qualificação e inserir a questão social nesses critérios, a minha própria vontade… e, no final, decidir! Não tem “em cima do muro” nessa história, quem diz que tem, ou vai jogar seu voto no lixo ou não quer te dizer a decisão que tomou pelo motivo que seja…

Critérios

Isso é tudo que importa. Se você está colocando na balança o que privilegia somente um lado, você está sendo desonesto com você mesmo e, nesse caso, não perca seu tempo querendo arrumar justificativas, apenas aceite sua decisão e ponto final.

“Bial, eu voto em tal candidato por afinidade”

Simples assim! Não queira justificar se você não conseguiu tentar se convencer intimamente e de forma muito honesta motivos para VOTAR nos dois lados. De mente aberta, se convença disso, preciso me convencer a votar na Dilma, depois, preciso me convencer a votar no Aécio. Você consegue fazer isso? Não?

“Tá ok bigbrother, pode ir”

Use critérios que valem a pena!

Existe muita baixaria dos dois lados, virou uma guerra de qualificação e desqualificação e este é o ponto de longe mais irritante! Muita energia gasta em desqualificar o outro e, quem defende, compartilha, publica, repete, números mágicos dos dois lados seguindo a onda sem fazer um pingo de análise crítica, apenas querendo insistentemente achar motivos para justificar o que você já decidiu.

O Bolsonaro sobe na tribuna e tenta desqualificar a Dilma por já ter admitido publicamente ter participado de ações armadas na época da ditadura e as pessoas compartilham esse absurdo… desconsiderando completamente o contexto da época. Ai vem a propaganda petista e joga uma cachoeira de números contra um governo de 12 (doze!!!!) anos atrás!

Todos esses números precisam ser contextualizados, criticados, interpretados e eu não vou entrar em detalhes aqui, pois não encontrei um único valor divulgado pelo PT ou pelo PSDB que contextualizasse o lado oposto, sempre falta um “mas”, um “porque” e todos os dois lados cometem absurdos.

“Os juros do banco central na época do FHC foi de até 45%”

Ali deveria vir uma justificativa para isso e não vem!

“O Lula privatizou tais e tais companias, contra sua ideologia”

Cadê o porque… nunca tem esse “porquê” explicado para que o eleitor possa analisar, tecnicamente, o que motivou, simplesmente pegam os números, tiram do contexto e ponto final. Uma guerra irracional de números e interpretações direcionadas e tendenciosas.

O que realmente importa

O que realmente importa não são esses números mágicos de qualquer época divulgado pela propaganda partidária. O que importa são os seus valores como cidadão ao escolher um voto.

E aqui começa a ficar muito delicado… porque, o que mais importa, é algo que a grande parcela da população não está preparada para criticar e se posicionar, mas calma, não estou falando de inteligência, capacidade, educação, escolaridade, estou falando de história de vida.

Quem já sofreu com a fome pensa de forma direta e imediatista. Antes eu sentia, hoje não sinto mais, voto em fulano. Quem nunca sofreu com a fome, nunca viveu na miséria, não entende ou subestima de FATO o valor disso. É um sentimento muito forte, que não se aprende apenas em livros de sociologia.

Quem passou fome se submeteu a humilhações e constrangimentos que o simples fato de terem se livrado deles pode justificar apoio incondicional a quem ajudou.

Não me refiro somente a política, mas até um vizinho que te ajudou na hora que aquela família mais precisou… algum raciocínio do tipo “meu vizinho é criminoso, mas quando estava morto de fome foi o único que me ajudou”, é algo irracional para quem está de fora e algo incondicional de quem sente.

Por isso a questão é muito mais delicada do que parece… para decidir, você precisa se abstrair desse sentimento e analisar tudo friamente e principalmente, a longo prazo, sem imediatismo.

As visões

Os dois partidos possuem visões radicalmente diferentes a longo prazo e é isso que faz diferença, é o critério que realmente importa, aonde você vai colocar seus valores a médio e longo prazo.

O PT trata de economia e fala de investimento em mercado privado como se isso fosse o cerne de sua visão e não é! O PSDB fala do apoio a questão sociai como se isso fosse o mais importante para o seu governo e não é! Mas é esse o critério a ser usado para escolher? Isso é extremamente superficial e seria muita estupidez resumir só nisso, pois nos dois lados existem grandes armadilhas.

Não vou dissertar aqui sobre socialismo e capitalismo, mas é, essencialmente, o que está em jogo a longo prazo, não agora, agora você pode continuar escolhendo o seu carro, seu celular… O PT usou e abusou da corrupção (não estou dizendo que o PSDB não faria o mesmo, a questão ainda não é essa) e ainda assim é extremamente bem votado, porque conquistou a grande massa carente.

Isso atribui ao PT um poder imensurável! O poder de estar a cima da crítica da minoria que preferia não votar neste partido exclusivamente por esse critério. São 12 anos no poder, sem uma oposição digna (chamar PSDB de oposição é piada, nesse ponto deviam aprender com o Lula), onde começaram a surgir fortes sinais e indícios de um governo que quer se perpetuar no poder e é aqui onde quero chegar, ISSO que importa!

Existem cartilhas socialistas, crucificando o empresário, sendo distribuídas em escolas públicas, que receberam oficialmente do MEC a obrigação de instruir os alunos no dialecto marxista. A Dilma decreta a mudança de português para calar a boca de quem diz que “presidenta” é errado. O governo tenta aprovar a PEC 137!

Olhe para a Venezuela, falta papel higiênico nas prateleiras e ainda assim 63% da população aprova o governo, por que? Não vou chutar porcentagens, mas grande parcela da população em idade de aposentadoria nunca recebeu um único centavo… agora recebe, que tal? Que se dane papel higienico.

Aí começam leis ditatoriais… reeleição sem limites, leis de censura, de interferência econômica, de confisco de bens e propriedades… nós estamos nesse caminho! Acha exagero? É exatamente o que está acontecendo na Argêntina hoje. A diferença é que eles crescem muito mais do que a gente…

Isso é bom ou ruim?

Depende de como você quer viver. É perfeitamente compreensível quem não tem nenhum bem, não ver qualquer problema nessa visão social por enquanto. A final de contas até a Luciana Genro usa um Apple Mac Book Air para escrever em blogs socialistas. O problema vem depois…

O socialismo não se sustenta por conta própria enquanto 100% de uma população não concordar de corpo e alma estar 100% comprometido com ele. Em um país como o Brasil, isso nunca vai acontecer… a longo prazo não tem como isso ser bom…

Essencialmente

Essencialmente, o PT tem a visão intervencionista e vai, aos poucos, criar leis intervencionistas, inflar o estado, para criar o maior número de dependentes dele o possível, vai intervir diretamente na economia como julgar necessário (a Dilma declara isso publicamente e admiro o fato dela deixar isso explícito), mas o resultado é que isso nunca vai privilegiar a competição e da poderes praticamente eternos a um governo.

E isso não se muda! Veja a perseguição que cuba faz a uma simples blogueira, como o Nicolés Maduro trata seus opositores e como ele justifica absurdos (tipo dizer que a violencia nas ruas, segundo ele, é culpa das novelas que são muito violentas, e por ai vai).

Não se engane, uma vez conquistado, não se volta atrás a não ser a custa de muito sangue e pode levar décadas!

Finalizando é isso que você está decidindo. Você precisa se perguntar se quer dizer para esse governo se ele pode continuar sendo tão ditatorial, tão intervencionista, acima de tudo, de que o seu passado não importa, que está e sempre estará os apoiando incondicionalmente, ou se você quer mostrar que as coisas não são tão fáceis assim… que você pode odiar o Aécio, mas que não quer um ditador no poder, quer preservar seus direitos de escolha, quer uma educação imparcial para seus filhos, que você reprovou toda corrupção! E isso serve de recado para quem vier: Se comporte senão eu voto no PT em 2018!

Como disse, esse texto não é imparcial e é por isso que eu consigo votar no Aécio, não porque goste, não porque ache que ele vai acabar com a corrupção, mas porque estamos em um momento único, estamos dando a oportunidade para um partido dizendo:

Vê se agora não ferra com tudo caramba!!!!