Transação não autorizada

Esse texto é sobre frustrações.

Como quando você abre o pote de sorvete e tem feijão. Quando você corre pra pegar um ônibus e não dá tempo, ou quando pega o ônibus mas é a primeira pessoa a ter que ficar em pé. Como quando você acorda no meio da noite e não sabe pra que lado fica a porta do seu quarto e volta a dormir. Quando você vai no mercado e não tem o salgadinho que você quer e você não sabe se compra qualquer um ou se volta pra casa sem nada. Tem aquelas vezes que você escuta uma música em algum lugar e fica tentando saber o nome dela por anos mas nunca consegue. Tem também a frustração de ter que escutar as propagandas do spotify porque você é pobre demais pra ter a versão premium. Nem vou falar de todas frustrações que bancos e hospitais nos causam, porque só de pensar fiquei cansado.

Tá Eduardo, mas por que falar de frustrações? E eu lhe respondo caro(a) amigo(a): Eu tô com uma frustraçãozinha que acho que causa frustrações em todo mundo que tem convivido comigo nesses últimos meses (anos?). O nome dela é gastrite crônica moderada. A frase que eu mais falo (além de “você conhece esse meme?”) é “Não posso comer isso, tenho gastrite” e geralmente ela vem acompanhada da minha mão indo de encontro à minha barriga e uma cara mais ou menos assim:

every-fucking-day

Eu sei que todo mundo sabe que eu como muita besteira mesmo tendo esse problema, mas eu tive que mudar um hábito muito forte chamado: CAFÉ. Imagine você um estudante de comunicação que escuta bandas indie e tem que se manter acordado 200% do dia sem café. Tá vendo? Então…

Isso me fez refletir durante essa semana (diga-se de passagem que essa semana tá bem estranha) (adendo: recebi uma mensagem agora e ficou ainda mais estranha), tá, a reflexão; Eu não posso tomar café. fato. Mas todo santo dia eu me pego pensando “será que se eu tomar vai doer tanto assim?” e vai. Às vezes eu tomo. E dói pra caralho. 0 surpresas. O ser humano é assim sabe? A gente sempre sabe no que algo vai dar, a gente tem aquele saber empírico e mesmo assim se joga, sabendo exatamente como vai ser. PLAU! Receita de frustração. Eu tô numa fase fodidamente confusa da minha vida que nunca pensei que estaria aos 20 anos. Sabe quando a gente diz que tá puta bem solteiro e que ah não sei o que lá vários beijo e etc etc? Não tô puta bem. E não por estar solteiro, mas por uma necessidade inconsciente que tenho de achar que sou um bosta por não ter ninguém. E isso cria várias crises.

O que isso tem a ver com a história do café? Pois bem, eu tive a chance de me jogar em vários relacionamentos, ou não relacionamentos em si mas na chance de investir em situações e pessoas. E não sei se é amadurecimento ou o quê mas não me joguei. E isso é contraditório com o que disse sobre me achar um bosta às vezes, mas se for pra amar alguém, eu não quero um amor meio merda só pra satisfazer uma necessidade física e social. Eu não quero uma mina que seja muito menos do que eu acho merecer só pra não ficar sozinho entende? Talvez eu continue assim por um tempo ainda, mas não tem o que fazer.

O que quero dizer no final desse texto é que se a frustração pode ser evitada, evite. Se você sente uma dorzinha na barriga perto de alguém, ou você ama essa pessoa ou você precisa de um médico. Tá, última frase: O café é realmente tão bom assim pra que valha a pena a dor que você vai sentir depois? Porque eu tô em busca desse café aí.

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