Carli Jeen

A sabedoria amorosa.

Carta para Eulália Marques.

Querida Eulália, que lindo nome.

Neste momento estou com um lindo vestido de flores, o cabelo meio preso meio solto com um pequeno fio aos olhos e uma flor vermelha entrelaçada.

Sentei de pernas cruzadas, pois é assim que me sinto mais confortável para escrever. Estou tomando uma xícara de chá vindo diretamente da índia, alguns cristais em volta, um pequeno vidro com aroma de lavanda, laranja e rosas colocando minhas pequenas letras em movimento.

Ao ler seu pedido, suas palavras, percebi tamanha sincronia em estar vestida e me comportando com uma velha anciã. Talvez minha alma seja realmente antiga e alguns hábitos acompanham esta vida juntamente com as cartas.

Que feliz seria um encontro contigo para conversar sobre Jane Austen ou Manuel Bandeira. Quão amável seria passar uma tarde toda discorrendo sobre o poder das palavras, da conexão, do amor que elas podem transmitir.

O quão esplêndido se acompanhada desta conversa estivéssemos embaixo de uma árvore, em campos floridos sentindo o sol da tarde em meio a uma brisa agradável.

Por que não?

O que desejamos é sempre tão delicado e cheio de brilho, daqueles que levam a sonhar alto, a contar antigas histórias. Sentir um preenchimento que cobre qualquer dizer.

E, neste preenchimento, sentir-se inteiro. Vivo. Completo.

Por vezes nos perdemos em meio aos sonhos, nas histórias da carochinha e contos de fadas. O caminhar perde o brilho, o viver perde a graça e somente conseguimos contar com afazeres mecânicos e sem sentido.

Sem sentir.

E aparece Eulália, lembrando do meu propósito, conectando a minha velha senhora que muito sabe e pouco diz. Trazendo a brisa distante dos contos que inebriam com seu romantismo, seus aromas de flores e a presença flutuante.

Contagiando com palavras fortes e cheias de força que direcionam um pouco mais em meu caminho.

Você por se abrir completamente e dividir comigo suas letras trouxe novas perspectivas. Aquele pequeno pedido, uma pequena abertura trouxe luz em momentos tão cinzentos.

Eu me vesti sem saber que iria escrever a você e você se abriu ao conectar a mim.

Poderíamos todos nós fazer isto?

Sempre ao se entregar ao outro fazer por completo, mesmo que este completo não seja perfeito.

Afinal a perfeição não existe e o encantamento entre dois é recheado de movimentos contínuos e ambíguos que tornam graciosa esta troca.

Que mais vestidos rodados, cheios de babados, decotes torneados e perfumes cheguem a sua vida. Que seu nome, arredondado e curvilíneo te envolva sempre que você se perder. Que seus poemas transbordantes, suas poesias profundas, seu encantamento pelo outro elevem a patamares onde apenas carruagens de abóbora e amores infinitos podem habitar.

Que o meu sentir mais amoroso de hoje, chegue até você lembrando do quanto é importante e o quão bem você pode fazer a alguém.

Minha velha senhora saúda a sua velha senhora.

Com amor,

Elisa.

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