Eu só me relaciono com mulheres mais velhas, eu só tenho amigos mais velhos, (fora aqueles três que cresceram comigo, aqueles três que sempre foram meus amigos) eu nao consigo suportar a mentalidade da juventude, eu não entendo o motivo pelo qual tenho tantas responsabilidades, eu não sei o motivo pelo qual eu sempre penso no futuro, o motivo pelo qual eu sempre faço planos, eu realmente tenho 22?
Meus amigos quando lembram ou descobrem minha idade entram em choque, alguns dizem que eu deveria aproveitar minha juventude, outros dizem que sou apenas a frente do meu tempo, mas acontece que sempre fui assim, em casa, aos 6 anos de idade eu ficava sozinho cuidando da minha irmã mais nova quando meus pais iam trabalhar, eu tinha muito medo de algum dia os vizinhos descubrirem que crianças estavam sozinho em casa num apartamento do quinto andar, tinha medo de me separarem da minha irmã, dos meus pais, entao eu era muito cuidadoso e cauteloso com a criação de minha irmã mais nova, eu fazia sua comida, dava banho e a limpava quando fazia suas necessidades, eu cantava pra ela, a gente brincava, e eu nunca abria a porta de casa se nao fossem para meus pais.
Durante o fim da tarde, junto ao por do sol, eu sentia uma angustia muito grande, pois meus pais saiam para trabalhar e eu tinha que cuidar de minha irmã mais nova, e a preocupação dos vizinhos chamarem o conselho tutelar era extremamente enorme!
Foi assim até meus oito anos, quando aconteceu a separação dos meus pais, meu pai nunca mereceu minha mãe, ela era e ainda é um ser Divino, então eu nao achei ruim que eles fossem se separar…
Eu vim para São Paulo com 8 anos de idade, e fiquei com meu pai, na época ele bebia muito e trabalhava muito, eu ficava muito tempo sozinho em casa, apenas com um rádio, um caderninho e lápis de cor, eu gostava muito de desenhar e escrever, teve uma época que eu fazia muitos quadrinhos p eu msm ler, sobre dois homens que trabalhavam num lixão de uma cidade onde todos os moradores eram porcos, fui criado pelo meu pai e seus irmãos, homens que nunca me ensinaram como ser um homem de verdade (mas isso eu fui descobrir mais tarde)
Eu chorava muito, sentia falta de minha mãe e irmã, me preocupava muito com elas, mas eu estava feliz que elas nao tinham mais que lidar com a personalidade do meu pai daquela época, em minha cabeça se eu mantesse meu pai ocupado ele não iria criar problemas para ambas, então eu vivi muito sozinho, comia arroz, feijão e ovo frito todo dia (esse é o motivo pelo qual não consigo comer ovo hoje em dia), fui matriculado em uma escola perto de onde eu morava, eu odiava ir, eu era gordinho, com um sotaque carioca gritante, e os alunos eram cheio de implicar comigo, até o momento que nao aguentei e soquei uma criança até um professor me tirar de cima dele, desde então me deixaram em paz, mas eu ainda me sentia muito sozinho…
Eu sofri um acidente de moto com meu pai e quebrei o pé, durante o socorro do SAMU a única pergunta que fiz ao meu pai enqnto estava na maca foi “amanhã eu não preciso ir para a escola, né?” Ele muito preocupado ao meu lado disse
“nao filho, você nao vai”
Me senti aliviado…
Foi quando um outro tio meu veio visitar a gente, ele tinha dois filhos, um mais velho e outro mais novo, o mais novo também estava com a perna quebrada, e a gente logo criou amizade, ele foi meu primeiro amigo depois que me mudei para São Paulo, hoje tenho 22, ele 21, e ainda somos carne e unha, ele foi o Primeiro dos “três”, acabou que me mudei para a casa debaixo de onde ele morava, então nossa amizade foi se tornando maior, crescemos juntos, fazíamos tudo junto, sofriamos e sorriamos juntos e estamos juntos até então, O primeiro dos “três” que é mais novo que eu, eu suporto e aprendo com ele, nós eramos muito precoce, desde as idéias, até as atitudes, crianças que carregavam o peso do mundo nas costas!

Eu e o Luan, eu tinha 17, e ele 16.
essa foto de certo modo dá início a nossa vida de “jovem adulto” mas o resto da história eu conto depois! Fé pra isso ✨
