
Ser mulher é um ato de coragem
Hoje, 26 de agosto, é o dia da igualdade feminina, data pouco conhecida, mas que nós mulheres sabemos a importância. Em 1920, nesta mesma data, só que lá nos EUA as mulheres foram às urnas pela primeira vez e isto foi uma grande conquista. Aqui no Brasil este direito só foi garantido em 1934.
As mulheres são minoria em todas as instâncias políticas, apesar de representarem 51% da população. Existe também uma diferença salarial de 30% entre os salários de funcionários homens e mulheres, sem falar em outras desigualdades como a carga de trabalho doméstico, a responsabilidade pela criação dos filhos e por aí vai.
Ser e se reconhecer mulher na sociedade em que vivemos é um ato de coragem. Isto, porque uma parte da sociedade ainda nos enxerga em segundo plano e não como protagonistas que somos. A sociedade tende a enxerga duas faces da mulher: a doce dona de casa ou a mulher hiperssexualizada.
Nós lutamos contra padrões pré-fabricados e modelos irreais da mulher. Além de marcas, o machismo deixa números. Um projeto chamado “Este case é foda” realizado em 9 Estados do Nordeste entrevistou 200 publicitárias entre julho e agosto de 2017 e mostrou que 71% das publicitárias do Nordeste já sofreram assédio, 48,4% já deixaram de denunciar por medo de serem demitidas e 54,2% já foram humilhadas ou ridicularizadas no trabalho por ser mulheres.
Na comunicação vemos campanhas que hiperssexualizam as mulheres. Muitas marcas ainda insistem em colocar mulheres com corpos perfeitos segurando garrafas de cervejas ou em comerciais de detergente, como se o lugar da mulher fosse na cozinha. Onde está a mulher dirigindo carros ou pilotando motos? Isto só reforça o machismo. Mas em 2016, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) puniu 7 peças publicitárias por denúncia de machismo. Os processos relacionados a machismo julgados pelo Conar cresceram 87,5% em dez anos, se comparados os dados de 2006 e 2016. Isto é um dado importante e uma conquista para nós mulheres e para a comunicação, pois as marcas precisam se alinhar à realidade.
Conseguimos com muita luta outros avanços na sociedade: acesso ao voto, inserção no mercado de trabalho, licença maternidade, leis de amparo à mulher, mas ainda temos muito trabalho pela frente, pois ainda enfrentamos uma sociedade patriarcal.
Quero poder beber em um bar e não me sentir objeto. Não quero ter medo de andar sozinha na rua. Queremos respeito e direitos. Por isso a relevância do feminismo e suas vertentes e a comunicação tem papel fundamental, pois os dados relacionados à violência contra a mulher são assustadores:
A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil segundo dados oficiais das secretarias estaduais de segurança. 40% das mulheres brasileiras já sofreram violência doméstica e 66% dos brasileiros presenciaram uma mulher sendo agredida fisicamente ou verbalmente em 2016, segundo dados da ONU. A cada duas horas uma mulher é assassinada no país. O Brasil está na 5º posição em um ranking de 83 países em assassinato de mulheres, também segundo a ONU.
As mulheres trans são ainda mais invisibilizadas nesta sociedade que quer nos negar o direito de ser, sentir e amar. Só quem tem local de fala, quando o assunto é o “ser mulher” somos nós mulheres cis e trans. Por isso, mais respeito!
Texto: Emanuele Corrê, Ger. Cultura de Marca.
