Isso daqui

mar-2017

Claramente o ano só começa depois do carnaval.

Depois de certos bloqueios pessoais, consigo reunir então alguma coisa aqui, para esse começo de ano que me rende apenas um título. Textos desfragmentados.

Felizmente, há algo a ser dito.

(01–mar-2017)

Um dia as luzes do seu quarto vão se apagar, e até no escuro você vai poder sentir minha presença.

But if it’s true
You can see it with your eyes
Oh, even in the dark

Já disse que gostava muito de Paramore? Gosto ainda. Eu tocava guitarra.

Eu desenhava também. E até que bem, sim. Minha mãe disse: quer entrar na faculdade de artes ou de música? Me apoiando. Isso não é muito comum não é? Mas existe um espírito derrotista, de mesmo que sendo bom, você acaba desistindo com o tempo.

Eu fui parar na faculdade de artes, porque achava que desenhava melhor do que tocava guitarra ou piano. Era uma copista, já ouviu falar? Pois então, copiava as coisas muito bem. Pra criação… Mas seguindo:

Você vai crescendo e vai entendendo os adultos, o porquê que eles são assim, porque daquelas caras nas suas rotinas e de achar que a vida é um lixo. Tá escrito na cara deles né? Isso pra mim, claro, que cresci numa família com condições e sanidade suficientes. Outras pessoas enfrentam esses problemas muito antes.

E sabe quem está no topo? Ou fizeram por merecer mesmo e parabéns, ou tiveram alguma indicação (o que geralmente acontece). E até nos desenhos pode acontecer algo assim. Eu, fui desistindo, como tantos outros.

Essas coisas, são graduais.

Às vezes pego algumas revistas e leio. Vejo tutoriais. Faço um curso ou outro. Isso é meu, eu gosto. Muitas pessoas estacionam muito antes disso até o carro ser guinchado. Mesmo assim, às vezes me pego pensando no meu derrotismo: pra quê os tutoriais, as revistas?

Vejo minha casa desarrumada e penso o quanto isso combina comigo.

Estou preocupada. Estou me tornando adulta.

De vez em quando batem saudades.


“Sair indefinidamente” para qualquer canto, qualquer lugar, da vida de alguém, de qualquer situação, da mesa, da cilada, do sofá, da cama, desse estresse, do papinho hétero, daquela festa chata, dessa calça apertada, da casa do seu amigo, daquela ideia que te botaram na cabeça, daquela enrascada, do paletó com gravata, da mesquinhez, da mesmice, dos sete palmos do chão, da rotina, do seu relacionamento, do seu próprio corpo, da loja porque você percebeu que tá sem seu cartão ou sem dinheiro na conta. Da realidade.


02-mar-2017

Estes dias, fui nas tuas fotos mais antigas. O famoso stalk (mesmo nos conhecendo há anos).
Encontrei algumas que já conhecia, outras que não me lembrava mais. E mesmo pensando “nossa, você era assim?”, depois de certa confusão do que a memória e o tempo fazem com a gente, cada uma me enchia o peito com a reafirmação de quanto te amo.
Mas claro, não só isso. Me faz lembrar como nos conhecemos, como era seu cabelo, naquela época mais comprido, lembro alguns detalhes, das primeiras vezes que saímos. Nos conhecendo. 
Quem diria que isso seria pra sempre? A fase do “nos conhecendo”. Se não pra sempre, enquanto nos tivermos em companhia de alguma forma. Coisa que creio eu, nunca vou querer deixar de estar.

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