Somos robôs

Nós somos todos robôs. Não, eu não estou dizendo que a humanidade se perdeu ou que nossas rotinas nos fazem robóticos, eu estou dizendo que nós sempre fomos e sempre seremos robôs. Somos máquinas de carne, programados pela aleatoriedade do universo. Eu estou dizendo que não existe nenhuma diferença entre você que está lendo esse texto e um algoritmo de computador, ou uma inteligência artificial. Você é programado para acreditar que é especial, que suas emoções o fazem diferente e que sua mente o diferencia dos outros, mas é tudo mentira. Você só é um algoritmo mais avançado que a humanidade ainda não conseguiu reproduzir, talvez nem tão mais avançado assim.

Seus sentimentos são um monte de reações químicas acontecendo em seu corpo e não significam nada para o mundo, sentimentos só fazem sentido para quem os entendem: você e outras pessoas que compartilham seu código. Parte desse seu código foi herdado de seus pais, parte foi criado por suas experiências, e ele nunca para de mudar. Mas imagine por um segundo que ele parasse, que seu cérebro e todo o resto pudessem permanecer os mesmos em duas ocasiões iguais: nas duas você acorda em um quarto com duas portas e é instruído a escolher uma porta para sair. Você sairia pela mesma porta nas duas vezes. Na verdade, mesmo que houvessem mil, um milhão, um bilhão de portas e o experimento acontecesse infinitas vezes, você escolheria a mesma. Sempre. Porque assim como um robô, o ser humano é matematicamente previsível.

Você até mesmo pode ser programado como um algoritmo, a hipnose faz exatamente isso, por meio dela, emoções podem ser estimuladas — sem nenhum motivo -, pensamentos podem ser inserido em sua mente enquanto você está em transe, medos são perdidos, ideias são implantadas. Claro, há algumas restrições, pois nosso sofware tem seu próprio firewall, as barreiras mentais. O ponto é: outra pessoa pode mexer em seu código, hipnólogos não são diferentes de programadores, médicos não são diferentes de mecânicos. Seu cérebro é incrível, ele pode trabalhar com uma quantidade imensa de dados e transformá-los no que você sente, mas no fim, é apenas um processador.

Você é um robô único, seu software e seu hardware são diferentes de todas as outras máquinas, mas não quer dizer que você não seja uma delas. Ouso a dizer que o destino existe, um destino matemático, pois nada no mundo é aleatório — tudo é matemática, tudo é exato -, nós apenas não compreendemos e não conseguimos o prever, pois está além de nossa capacidade limitada por nossa programação. Quanto mais penso, mais chego a conclusão que meus pensamentos não existem, mais chego a conclusão que vivemos um script escrito por ninguém.

Leitor, eu não estou tentando te fazer desacreditar na vida ou livre arbítrio, apenas estou mostrando alguns fatos e minha conclusão. Talvez eu tenha conseguido te convencer nesse pequeno texto, talvez não. Não sei o que você vai fazer com essa informação, mas posso lhe dizer o que eu vou fazer: nada. Nada na minha vida mudou, provavelmente vou acordar amanhã de manhã sem dar importância para isso, talvez até diga para mim mesmo que a vida é especial e eu não sou um robô. Vou continuar vivendo minha vida robótica, afinal, fui programado para fazer isso.

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